Sábado, 14 de Março de 2026
Telefone: (54) 3383.3400
Whatsapp: (54) 3383.3400
Curta nossa página no Facebook:
Clique para Ouvir
Parcialmente nublado
30°
16°
21°C
Espumoso/RS
Parcialmente nublado
No ar: A Voz do Brasil
Ao Vivo: A Voz do Brasil
Notícias

Márcio Ücker detalha impactos das chuvas, avanço do plantio de soja e entraves do PL 5122/2023

Márcio Ücker detalha impactos das chuvas, avanço do plantio de soja e entraves do PL 5122/2023
13.12.2025 08h00  /  Postado por: villaadriano

Nesta sexta-feira, 12 de dezembro, o jornalista Fernando Kopper conduziu uma edição especial do programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, recebendo o meteorologista e especialista em agronegócio Márcio Ücker, de Ibirubá, que participa semanalmente trazendo análises climáticas e avaliações técnicas sobre o cenário agrícola regional. A conversa foi marcada por um balanço detalhado das chuvas que atingiram o Estado, os impactos no avanço do plantio, as projeções climáticas para as próximas semanas e uma abordagem profunda sobre o impasse envolvendo o PL 5122/2023, que trata da securitização das dívidas rurais.

Chuvas acima da média e alívio para o produtor

Ücker iniciou destacando os registros obtidos pela estação climática hiperlocal mantida por ele no interior de Ibirubá. Somente na última semana foram contabilizados 107,6 milímetros de chuva, volume diretamente associado à atuação de um ciclone extratropical que trouxe grande umidade do oceano para o continente.

Apesar de algumas regiões do Estado terem enfrentado granizo, rajadas fortes de vento e instabilidades mais severas, a área de abrangência da estação registrou episódios sem danos significativos. Segundo relatos de produtores da região, os volumes oscilaram entre 50 mm e 160 mm, dependendo da localidade, refletindo o comportamento clássico de eventos associados a ciclones, em que a distribuição da chuva se torna irregular.

O meteorologista também chamou atenção para a sequência de temperaturas extremas registradas no último fim de semana, com marcas que chegaram a 44°C, comportamento atípico para o início de dezembro e agravado pela estiagem que vinha sendo observada. Com a chegada das chuvas, as temperaturas recuaram de forma brusca, na quarta-feira, por exemplo, a mínima chegou a 16°C e a máxima a 26°C, antes de voltarem a subir gradativamente.

Para a próxima semana, Ücker adiantou que há previsão de instabilidade já na segunda-feira, mas os modelos divergem. Enquanto alguns apontam volumes próximos de 6 mm, outros projetam acumulados superiores a 20 mm. “Ainda é cedo para afirmar”, afirmou, reforçando que a mudança de padrão já representa um cenário mais animador para quem enfrentava semanas consecutivas de tempo seco.

Plantio de soja avança, mas ritmo segue abaixo da média histórica

Ao comentar sobre o plantio da soja no Rio Grande do Sul, Ücker destacou que a estiagem das últimas semanas havia interrompido os trabalhos em boa parte das propriedades. Segundo dados mais recentes da Emater, o Estado atingiu 76% da área prevista para o plantio, número inferior à média histórica para o mesmo período, que gira em torno de 84%.

“É uma diferença significativa”, pontuou o especialista, explicando que o retorno das chuvas já permitiu a retomada dos trabalhos, embora a irregularidade dos volumes ainda cause apreensão entre os agricultores. Para ele, a expectativa é de que a cultura recupere parte do atraso, desde que a regularidade das precipitações seja mantida ao longo das próximas semanas.

Sobre o trigo, Ücker informou que a colheita está oficialmente finalizada no Estado, mas com redução de 7,1% na produção frente ao desempenho de 2024. A média estimada fechou em 50,2 sacas por hectare, resultado diretamente influenciado pelo comportamento climático adverso durante o ciclo da cultura.

Transição climática: La Niña perde força e neutralidade deve marcar o início de 2026

Ücker também trouxe atualizações importantes sobre o cenário meteorológico de médio prazo. Segundo ele, o fenômeno La Niña, ainda presente, deve rapidamente perder intensidade, dando lugar à neutralidade logo no início de 2026. O especialista lembra que essa transição tem sido acelerada por ventos atípicos na Antártida, que atualmente circulam em sentido anti-horário, transportando grande umidade oceânica para o continente sul-americano e criando condições favoráveis à formação de ciclones e instabilidades intensas.

A tendência, conforme Ücker, é que o segundo semestre de 2026 seja influenciado por um novo El Niño, que pode se estender por até um ano e impactar diretamente a organização do calendário agrícola. “É um alerta importante para quem planeja investimentos e custos de produção”, reforçou.

PL 5122/2023 volta a travar e governo estuda nova Medida Provisória

A parte mais crítica da entrevista veio quando o meteorologista abordou o PL 5122/2023, que trata da securitização das dívidas rurais e vem sendo acompanhado de perto por entidades representativas, produtores e setores financeiros.

Na semana passada, Ücker havia antecipado que o projeto voltaria ao debate no Senado, mas ressaltou que seria improvável sua votação, previsão que se confirmou. Ele relatou que novas informações vindas de Brasília indicam que o governo estuda agora uma nova Medida Provisória, retomando o formato da MP 1.314, lançada em setembro para renegociação de dívidas, mas que acabou excluindo grande parte dos agricultores por conter filtros considerados excessivos.

“Precisamos parar de iludir o produtor”, afirmou Ücker. “A realidade é que esse cenário político e econômico não sustenta grandes avanços. Não há perspectiva concreta de aprovação imediata desse projeto.”

Ele lembrou que o endividamento rural no Rio Grande do Sul está diretamente ligado aos desastres naturais que vêm se acumulando: estiagens consecutivas, enchentes históricas e frustrações de safras que impactaram profundamente a renda das famílias rurais. Embora reconheça que parte dos prejuízos também possa ser atribuída a erros de gestão, investimentos inadequados e tecnologias mal aplicadas, o especialista defende que a maior fatia das perdas não está relacionada à conduta do produtor.

Seguros agrícolas: custo elevado, retorno baixo e pressão no endividamento

Dentro desse contexto, Ücker apontou um agravante: o desempenho insatisfatório do seguro agrícola. Segundo cálculos apresentados, produtores gaúchos desembolsaram o equivalente a 25 sacos de soja por hectare nos últimos cinco anos para manter suas apólices, valor que corresponderia ao lucro de três anos de safra normal.

“Gastamos 25 sacos, recebemos quase nada. Para pagar esse custo, seriam necessários três anos perfeitos de produtividade. Isso é inviável”, avaliou, lembrando que apenas um número reduzido de produtores teve atendimento eficaz das seguradoras.

Dificuldade nacional: Goiás e Mato Grosso também enfrentam aperto

Ücker ressaltou que a crise não se limita ao Rio Grande do Sul. Em suas viagens e contatos profissionais com produtores do Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso, ele afirma que a combinação de “custo alto e preço baixo” está levando muitos investidores, especialmente do Sudeste, a considerar o abandono da produção após a safra atual.

Segundo ele, gaúchos e paranaenses tendem a permanecer por mais tempo na atividade, mas o cenário preocupante afeta praticamente todas as regiões produtivas do país.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

Comente essa notícia
Receba nosso informativo
diretamente em seu e-mail.
Utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
CONCORDO