Durante a campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização e prevenção das hepatites virais, o Giro da Notícia, da Rádio Planetário, apresentou nesta sexta-feira (17) uma entrevista conduzida pelo jornalista Rodrigo Oliveira com o infectologista Dr. Diego Costa, médico que atua em Caxias do Sul. Durante a conversa, o especialista esclareceu as principais formas de transmissão da doença, os sintomas, os métodos de diagnóstico, os tratamentos disponíveis e reforçou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar complicações que podem comprometer gravemente a saúde do fígado.
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser causadas por cinco tipos diferentes de vírus: A, B, C, D e E. Segundo o médico, cada uma apresenta características próprias de transmissão. As hepatites A e E são adquiridas principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados e pelo contato com fezes contaminadas. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo sangue, por relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e utilização de materiais não esterilizados em procedimentos como tatuagens e colocação de piercings.
Durante a entrevista, o infectologista ressaltou que todas as hepatites podem se manifestar inicialmente de forma aguda. No entanto, os vírus das hepatites B, C e D podem evoluir para a forma crônica, permanecendo no organismo por mais de seis meses. Nesses casos, a inflamação contínua do fígado pode provocar lesões permanentes, cirrose e, nos casos mais graves, evoluir para câncer hepático, tornando o acompanhamento médico fundamental.
Outro ponto destacado foi que os sintomas nem sempre aparecem logo após a infecção. Em muitos pacientes, a doença permanece silenciosa durante semanas ou até meses. Quando surgem, os sinais mais comuns incluem pele e olhos amarelados (icterícia), cansaço intenso, dores musculares, dores nas articulações, febre e mal-estar geral. Como esses sintomas podem ser confundidos com outras doenças, o diagnóstico costuma exigir investigação clínica e exames laboratoriais específicos.
O Dr. Diego explicou que exames comuns de sangue podem indicar alterações nas enzimas hepáticas, especialmente TGO e TGP, levantando suspeita de comprometimento do fígado. Entretanto, a confirmação da hepatite viral depende da realização de sorologias específicas, capazes de identificar os anticorpos produzidos pelo organismo contra cada tipo de vírus.
Ao abordar o tratamento, o especialista esclareceu que as hepatites A e E normalmente exigem apenas acompanhamento e tratamento dos sintomas, já que costumam evoluir para a cura espontânea. Em contrapartida, as hepatites B e C possuem tratamentos específicos. A hepatite C, atualmente, apresenta elevadas taxas de cura graças aos antivirais de ação direta, com tratamento que pode durar cerca de 90 dias. Já a hepatite B ainda não possui cura definitiva, mas os medicamentos disponíveis conseguem controlar a multiplicação do vírus e reduzir significativamente o risco de evolução para doenças graves.
O infectologista também chamou a atenção para as possíveis sequelas das formas crônicas da doença. Além da cirrose e do câncer de fígado, pacientes com hepatites B, C e D não podem doar sangue devido ao risco de transmissão. Nos casos mais graves, tanto as formas crônicas quanto algumas formas agudas podem levar à necessidade de transplante hepático.
Durante a conversa, Dr. Diego Costa desmistificou uma dúvida frequente da população. Ele explicou que as hepatites virais não surgem em decorrência do consumo de bebidas alcoólicas ou de maus hábitos alimentares. Essas situações podem provocar outras doenças do fígado, como a esteatose hepática, mas a hepatite viral somente ocorre quando a pessoa entra em contato com o vírus por alguma das formas de transmissão conhecidas.
Quando o assunto foi prevenção, o médico reforçou que medidas simples fazem grande diferença. Manter uma boa higiene das mãos, consumir água tratada, higienizar corretamente os alimentos, utilizar preservativos nas relações sexuais, jamais compartilhar seringas e procurar estabelecimentos que sigam rigorosamente as normas de esterilização para procedimentos como tatuagens e piercings são atitudes fundamentais para reduzir o risco de infecção.
Outro destaque importante é a vacinação. O especialista lembrou que existem vacinas eficazes contra as hepatites A e B. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para toda a população, enquanto a imunização contra a hepatite A integra o calendário vacinal infantil, sendo uma importante ferramenta na redução da circulação do vírus.
Ao comentar o cenário atual da doença, Dr. Diego explicou que a hepatite A ainda é bastante frequente em países em desenvolvimento, principalmente devido às dificuldades de acesso ao saneamento básico. Já em relação à hepatite C, houve um avanço significativo nos últimos anos graças aos novos medicamentos, que reduziram o número de pessoas convivendo com a doença de forma crônica. Por outro lado, a hepatite B continua sendo uma das maiores preocupações da saúde pública mundial justamente por ainda exigir tratamento prolongado e acompanhamento contínuo.
Encerrando a entrevista, o infectologista reforçou uma mensagem de conscientização. Segundo ele, cuidar da saúde não deve acontecer apenas quando surgem os sintomas, mas principalmente por meio da prevenção. Consultas médicas periódicas, vacinação em dia, alimentação saudável, prática de atividades físicas e hábitos de higiene são medidas que contribuem para evitar não apenas as hepatites virais, mas diversas outras doenças. A campanha Julho Amarelo busca justamente conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção, fortalecendo o cuidado com a saúde do fígado e promovendo mais qualidade de vida.
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