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Pneumologista alerta para sinais de doenças respiratórias, riscos do cigarro eletrônico e importância da higiene do sono

Pneumologista alerta para sinais de doenças respiratórias, riscos do cigarro eletrônico e importância da higiene do sono
16.07.2026 10h23  /  Postado por: rodrigosiga007

A saúde respiratória esteve em pauta durante entrevista concedida pelo médico pneumologista e especialista em medicina do sono, Dr. Gustavo Picolotto, ao comunicador Rodrigo Oliveira, da Rádio Planetário. Ao longo da conversa, o profissional esclareceu dúvidas sobre os principais sintomas que levam pacientes ao consultório, alertou para os perigos do cigarro eletrônico, destacou as doenças respiratórias mais comuns e reforçou a importância de hábitos saudáveis para preservar a qualidade do sono e da respiração.

Logo no início da entrevista, o Dr. Gustavo explicou que a pneumologia é uma especialidade muito mais ampla do que apenas o tratamento dos pulmões. Segundo ele, o pneumologista atua em praticamente todo o sistema respiratório, desde as vias aéreas superiores até os pulmões, investigando doenças que muitas vezes apresentam sintomas semelhantes, mas possuem causas completamente diferentes.

Entre as principais queixas recebidas no consultório estão a tosse, a falta de ar, o chiado no peito e dores torácicas. Conforme explicou o especialista, esses sintomas nem sempre indicam um problema pulmonar. “A tosse pode ser causada por sinusite, rinite, refluxo gastroesofágico, medicamentos, tuberculose, doenças pulmonares, problemas cardíacos e até pela exposição prolongada à poeira e produtos químicos”, destacou.

O médico ressaltou que o diagnóstico exige uma investigação criteriosa, baseada inicialmente na conversa com o paciente, no exame físico e, somente depois, na solicitação de exames complementares. Radiografia, tomografia, espirometria, exames da função pulmonar e, quando necessário, avaliações cardíacas ou gastrointestinais ajudam a identificar a verdadeira origem dos sintomas.

Segundo o pneumologista, muitas vezes não é possível chegar ao diagnóstico definitivo na primeira consulta. Nesses casos, o acompanhamento clínico e o chamado “teste terapêutico” permitem avaliar a resposta ao tratamento enquanto novos exames são realizados, evitando solicitações desnecessárias e proporcionando um diagnóstico mais preciso.

Durante a entrevista, o Dr. Gustavo também explicou o papel da tosse como um importante mecanismo de defesa do organismo. Conforme ele, trata-se de um reflexo natural responsável por eliminar secreções ou agentes irritantes das vias respiratórias. Entretanto, quando persiste por semanas ou meses, merece investigação médica, pois pode indicar doenças mais complexas que exigem tratamento específico.

Vape preocupa especialistas

Um dos temas que recebeu maior destaque durante a conversa foi o crescimento do uso dos cigarros eletrônicos, principalmente entre adolescentes e jovens.

O pneumologista classificou o vape como um dos maiores desafios atuais da saúde respiratória. Segundo ele, apesar de muitas pessoas acreditarem que o cigarro eletrônico seja menos prejudicial que o cigarro convencional, a realidade é justamente o contrário.

“O vape atinge temperaturas muito mais elevadas, contém metais pesados, substâncias químicas desconhecidas e pode provocar inflamações graves no pulmão, como a EVALI, além de aumentar significativamente o risco de bronquite, DPOC, câncer e dependência química”, alertou.

Outro fator preocupante, segundo o especialista, é a facilidade de acesso ao produto e sua aparência atrativa. Aromas agradáveis, ausência do cheiro forte característico do cigarro tradicional e formatos discretos acabam incentivando o consumo, inclusive entre crianças e adolescentes.

O médico lembrou ainda que a comercialização do cigarro eletrônico continua proibida no Brasil e reforçou uma orientação direta: “A recomendação é zero vape.”

Além dos cigarros eletrônicos, o especialista também alertou sobre os riscos do narguilé, charutos, cachimbos e demais formas de consumo do tabaco, que igualmente aumentam o risco de doenças respiratórias e diversos tipos de câncer.

Principais doenças respiratórias

Ao abordar as doenças tratadas pela pneumologia, o Dr. Gustavo destacou que pneumonias e tuberculose continuam exigindo atenção da população.

Ele explicou que a pneumonia pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, enquanto a tuberculose permanece como uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente entre pessoas imunossuprimidas ou que vivem em ambientes com maior risco de transmissão.

Mesmo existindo tratamento eficaz, a tuberculose ainda pode deixar sequelas importantes e exige, no mínimo, seis meses de tratamento contínuo, com acompanhamento médico rigoroso.

Além das doenças infecciosas, o pneumologista citou enfermidades bastante frequentes como asma, bronquite crônica, enfisema pulmonar, DPOC, fibrose pulmonar, câncer de pulmão, hipertensão pulmonar, embolia pulmonar e distúrbios respiratórios do sono.

Outro alerta importante foi em relação à fumaça produzida pelos fogões a lenha, bastante comuns na região Sul do país. Segundo o médico, a exposição contínua à fumaça da lenha também pode provocar inflamação pulmonar, bronquite e enfisema ao longo dos anos.

Qualidade do sono também influencia a saúde

Por ser especialista em medicina do sono, o Dr. Gustavo também falou sobre hábitos que ajudam a melhorar a qualidade do descanso noturno.

Entre as principais recomendações estão evitar bebidas alcoólicas, cafeína, refeições pesadas e exercícios intensos nas horas que antecedem o sono. O uso excessivo de celulares, computadores e televisão antes de dormir também deve ser reduzido, já que a luz emitida pelas telas interfere na produção dos hormônios responsáveis pelo início do sono.

O médico orienta ainda manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável, além de utilizar um travesseiro confortável e respeitar horários regulares para dormir e acordar.

Ele ressaltou que sinais como ronco intenso, pausas na respiração durante a noite, sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração, perda de memória e hipertensão arterial podem indicar distúrbios do sono, como a apneia, que necessitam de avaliação médica especializada.

Ao final da entrevista, o Dr. Gustavo Picolotto agradeceu o convite e reforçou que a prevenção continua sendo a principal aliada da saúde respiratória. Segundo ele, buscar atendimento logo nos primeiros sintomas, abandonar o tabagismo, evitar o uso de cigarros eletrônicos e adotar hábitos saudáveis são atitudes fundamentais para preservar a qualidade de vida e prevenir doenças respiratórias ao longo dos anos.

Acompanhe o podcast abaixo.

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