Três Tentos aposta em cenário mais favorável para a próxima safra
Após uma safra de verão marcada pela irregularidade das chuvas e grandes diferenças de produtividade entre as propriedades rurais, a cultura da canola surge como uma das principais apostas para ampliar a rentabilidade do produtor gaúcho. A avaliação é do engenheiro agrônomo e consultor técnico da Três Tentos, Givago Souza Borghetti, em entrevista concedida à Rádio Planetário, na unidade da empresa em Espumoso.
Ao fazer um balanço da safra 2025/2026 de soja e milho, Borghetti afirmou que o principal fator que influenciou os resultados foi a distribuição desigual das chuvas. Segundo ele, mesmo com a atuação próxima da neutralidade para La Niña, as precipitações ocorreram de forma isolada, favorecendo algumas regiões e prejudicando outras.
O consultor classificou o período como a “safra do sorteio das chuvas”, explicando que, enquanto algumas áreas registraram produtividades próximas de 70 sacas de soja por hectare, outras colheram apenas cerca de 20 sacas. Para ele, a tecnologia empregada nas lavouras continua sendo fundamental, mas a disponibilidade de chuva nos momentos decisivos do ciclo da cultura foi determinante para os resultados obtidos.
Outro reflexo das condições climáticas foi a mudança no comportamento das lavouras em relação às pragas e doenças. Conforme Borghetti, a menor umidade reduziu a incidência de doenças como a ferrugem asiática, mas favoreceu o aumento da população de pragas, como tripes, ácaros, lagartas e percevejos. Além disso, ele destacou que o controle de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, como buva, caruru, leiteiro e losna, continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos produtores da região.
Canola ganha protagonismo na safra de inverno
Para a safra de inverno, a principal aposta da Três Tentos é a expansão da cultura da canola. Borghetti destacou que a empresa é uma das maiores incentivadoras e pesquisadoras da cultura no Rio Grande do Sul e no Brasil, investindo continuamente em pesquisa, desenvolvimento e assistência técnica aos produtores.
Atualmente, segundo ele, a área cultivada com canola na região de atuação da empresa chega a aproximadamente 140 mil hectares, representando cerca de 40% do mercado gaúcho da cultura. A expectativa é de que esse número continue crescendo nos próximos anos, impulsionado pelos bons resultados econômicos e pela crescente demanda da indústria de biocombustíveis.
Além da elevada produtividade, o agrônomo explicou que a canola possui cerca de 40% de óleo em seus grãos, característica que a torna uma importante matéria-prima para a produção de biodiesel. A Três Tentos conta com estrutura própria para industrializar essa produção, agregando valor ao grão e fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Segundo Borghetti, as lavouras de canola apresentam excelente desenvolvimento nesta temporada. O plantio já foi concluído, os principais manejos culturais foram realizados e, neste momento, os produtores executam aplicações de produtos biológicos e fungicidas visando preservar o potencial produtivo da cultura.
Trigo perde espaço diante dos custos e dos riscos
Enquanto a canola avança, a área cultivada com trigo apresentou redução expressiva neste inverno. De acordo com Borghetti, a diminuição varia entre 30% e 40%, reflexo principalmente dos altos custos de produção, dos preços pouco atrativos do cereal e da elevada exposição aos riscos climáticos.
O consultor explicou que parte das áreas anteriormente destinadas ao trigo migrou para a canola, enquanto outra parcela passou a receber plantas de cobertura, como aveias e mix de espécies, estratégia que melhora a estrutura do solo, favorece a ciclagem de nutrientes e reduz os riscos de erosão em caso de chuvas intensas.
Ele também chamou atenção para a necessidade de políticas agrícolas que incentivem o cultivo do trigo, ressaltando que o custo para implantar uma lavoura com nível tecnológico intermediário já representa cerca de 40 sacas por hectare, tornando a atividade cada vez menos atrativa diante das incertezas do mercado.
El Niño pode favorecer soja e milho
Em relação às condições climáticas para os próximos meses, Borghetti afirmou que os principais institutos meteorológicos apontam para a atuação do fenômeno El Niño com intensidade elevada entre setembro e o início de 2027.
Segundo ele, embora o aumento das chuvas possa elevar a incidência de doenças nas culturas de inverno, especialmente no trigo durante o florescimento, o cenário tende a ser positivo para a próxima safra de verão. A expectativa é de que a maior regularidade das precipitações favoreça o desenvolvimento das lavouras de soja e milho, reduzindo os prejuízos provocados pelas estiagens que marcaram quatro das últimas cinco safras no Rio Grande do Sul.
Para o agrônomo, doenças podem ser controladas com manejo adequado, assistência técnica e uso correto de fungicidas. Já a falta de chuva continua sendo o fator mais difícil de enfrentar, especialmente para produtores que não dispõem de sistemas de irrigação.
Ecossistema completo acompanha o produtor durante todo o ciclo
Durante a entrevista, Borghetti também destacou o modelo de atuação da Três Tentos, que acompanha o produtor desde o planejamento da lavoura até a industrialização da produção.
Segundo ele, além do fornecimento de sementes, fertilizantes, defensivos e assistência técnica permanente, a empresa recebe os grãos produzidos pelos agricultores e realiza o processamento em suas indústrias, transformando soja e canola em biodiesel, farelo para alimentação animal e outros produtos de maior valor agregado.
O consultor ressaltou que esse modelo fortalece a relação entre empresa e produtor, oferecendo suporte durante os 365 dias do ano e contribuindo para que as propriedades alcancem maior produtividade e rentabilidade.
Ao encerrar a entrevista, Borghetti desejou uma excelente safra aos agricultores e reforçou que a Três Tentos seguirá ao lado dos produtores, oferecendo orientação técnica e soluções para enfrentar os desafios do campo.
Acompanhe o podcast:




