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Dia Internacional do Orgulho Autista reforça a importância da inclusão, do diagnóstico precoce e do respeito às diferenças

Dia Internacional do Orgulho Autista reforça a importância da inclusão, do diagnóstico precoce e do respeito às diferenças
18.06.2026 15h00  /  Postado por: rodrigosiga007

O Dia Internacional do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, foi tema de uma entrevista especial nas Rádios Planetário e Líder FM. Conversamos com a Lidiane Somavilla, autista diagnosticada na vida adulta e mãe de duas crianças autistas, e a Jordana Lopes de Oliveira, mãe de Arthur, de 7 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos de idade.

Em um bate-papo marcado por relatos emocionantes, informação e conscientização, as entrevistadas compartilharam suas vivências e reforçaram a importância do acolhimento, da busca por diagnóstico precoce e da construção de uma sociedade mais inclusiva para as pessoas autistas e suas famílias.

Lidiane contou que sua trajetória até o diagnóstico foi longa e repleta de desafios. Antes de descobrir o autismo e o TDAH, recebeu diagnósticos equivocados e passou por tratamentos que não atendiam às suas reais necessidades. Segundo ela, a confirmação trouxe respostas para situações que a acompanharam durante toda a vida e permitiu o acesso ao tratamento adequado.

“Hoje posso dizer que tenho uma vida normal. Antes era uma vida de sofrimento. O diagnóstico me ajudou a entender quem eu sou e a encontrar os recursos certos para viver com mais qualidade de vida”, relatou.

Para Lidiane, o Dia do Orgulho Autista tem um significado especial. Ela destaca que a data simboliza o reconhecimento das capacidades, das conquistas e da identidade das pessoas autistas.

“Eu tenho orgulho de ser autista e dos meus filhos serem autistas. Cada pequena conquista tem um significado enorme para nós. Muitas vezes, aquilo que parece simples para uma pessoa típica exige um esforço muito maior para quem está dentro do espectro”, afirmou.

A jornada de uma mãe atípica

Jordana Lopes de Oliveira também compartilhou sua experiência como mãe de Arthur. Ela lembrou que os primeiros sinais surgiram ainda no início da infância, quando o filho apresentava comportamentos diferentes e atraso na fala.

Na época, o tema ainda era pouco discutido e a informação disponível era limitada. Mesmo assim, a família buscou ajuda especializada e iniciou uma caminhada que já dura cinco anos.

Segundo Jordana, o desenvolvimento de Arthur demonstra a importância do acompanhamento adequado e do estímulo constante. Hoje, ele já consegue se comunicar, está aprendendo a ler, desenvolveu autonomia em diversas atividades do dia a dia e segue avançando em seu próprio ritmo.

“Cada criança tem seu tempo. O importante é acreditar no potencial delas e buscar os recursos necessários para que possam evoluir. Nem sempre é fácil, existem desafios e momentos difíceis, mas cada avanço é uma vitória para toda a família”, destacou.

Ela também reforçou a importância de que pais e responsáveis não ignorem sinais que possam indicar alguma necessidade de avaliação.

“Quanto mais cedo acontecer a investigação e o diagnóstico, maiores são as oportunidades de intervenção e desenvolvimento. Muitas vezes, quem mais perde quando se deixa de procurar ajuda é a própria criança”, observou.

Inclusão começa pelo respeito

Durante a entrevista, as convidadas chamaram atenção para a importância da inclusão social e do respeito às diferenças. Segundo elas, o trabalho de conscientização não deve ocorrer apenas em datas específicas, mas diariamente, dentro das famílias, escolas e comunidades.

Jordana destacou que as famílias de crianças autistas se dedicam diariamente para prepará-las para viver em sociedade. Por isso, considera fundamental que a sociedade também esteja preparada para acolher e respeitar essas pessoas.

“Precisamos ensinar nossas crianças sobre respeito e empatia. Muitas vezes, uma palavra inadequada ou um olhar de julgamento pode machucar alguém que já enfrenta desafios diariamente. O autismo não é algo que se pega ou se transmite. São pessoas que precisam de compreensão, oportunidades e respeito”, ressaltou.

Lidiane acrescentou que a convivência entre pessoas típicas e atípicas é enriquecedora para todos e contribui para a construção de uma sociedade mais humana.

“Todos somos diferentes. Cada pessoa tem suas particularidades, suas limitações e suas potencialidades. Quando existe convivência e troca de experiências, todos aprendem”, disse.

Diagnóstico tardio e hereditariedade

Outro tema abordado durante a conversa foi a descoberta do autismo na vida adulta. Lidiane revelou que começou a buscar respostas ao perceber em si muitas características semelhantes às apresentadas pelos filhos.

Após avaliações especializadas e uma análise detalhada de sua história de vida, recebeu o diagnóstico que confirmou suas suspeitas.

Ela explicou que essa identificação trouxe mais compreensão sobre suas dificuldades e fortaleceu ainda mais o vínculo com os filhos.

“Eu entendo muitas coisas que eles sentem porque também passei por experiências parecidas. Isso ajuda muito na nossa relação e no apoio que consigo oferecer a eles”, afirmou.

As entrevistadas também comentaram sobre a influência genética no autismo, tema que vem sendo amplamente estudado pela ciência. Segundo elas, muitas famílias percebem características semelhantes em diferentes gerações, especialmente em parentes que cresceram em épocas nas quais o autismo ainda era pouco conhecido ou sequer diagnosticado.

Desafios e políticas públicas

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos em relação à conscientização sobre o TEA, Lidiane acredita que ainda existem muitos desafios a serem enfrentados.

Ela destacou a necessidade de ampliação das políticas públicas, do acesso a terapias especializadas, da formação de profissionais e do fortalecimento da rede de apoio às famílias.

“O autismo não existe apenas em datas de conscientização. Nós vivemos essa realidade todos os dias. Precisamos de suporte contínuo, atendimento adequado e políticas públicas que acompanhem o crescimento dessa demanda”, enfatizou.

As entrevistadas lembraram que o aumento dos diagnósticos não significa necessariamente que existam mais pessoas autistas, mas sim que há mais conhecimento, acesso à informação e ferramentas para identificação do transtorno.

Convite à comunidade

Ao final da entrevista, Lidiane e Jordana divulgaram iniciativas voltadas às famílias atípicas da região. Entre elas, a escolinha de futebol realizada em parceria com o Guarani, que acontece nas segundas-feiras, às 19h, no Módulo Esportivo de Espumoso, além do grupo de apoio mantido pela associação local.

Elas também convidaram a comunidade para participar da segunda edição da Imersão sobre Autismo, promovida por profissionais da área e marcada para o dia 18 de julho, em Ibirapuitã. O evento reunirá especialistas para debater temas relacionados à educação, saúde, inclusão e desenvolvimento de pessoas autistas.

A principal mensagem deixada pelas entrevistadas foi de acolhimento, informação e respeito.

“Precisamos preparar nossos filhos para o mundo, mas também preparar o mundo para receber nossos filhos. O autismo não define uma pessoa. Cada autista é único, possui suas características, seus talentos e suas capacidades. O respeito e a inclusão fazem toda a diferença”, concluíram.

Acompanhe o podcast:

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