Especialista destaca importância da conservação do solo e alerta para riscos no RS
O programa Rumo ao Campo deste sábado (18/04) recebeu a engenheira agrônoma e professora do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Ibirubá, Nidgia Nicolódi, para falar sobre um tema essencial para o campo: a conservação do solo.
Logo no início, a especialista reforçou que o solo é a base de toda a produção agrícola e também exerce papel fundamental na vida humana. “O solo nos fornece suporte para moradia, materiais de construção, mas principalmente é de onde as plantas retiram água e nutrientes para produzir alimentos”, explicou.
A data de 15 de abril, Dia Nacional da Conservação do Solo, instituída pela Lei nº 7.876/1989, reforça a necessidade de conscientização sobre o tema. Segundo Nidgia, embora o Brasil possua uma grande área agricultável, apenas uma pequena parcela apresenta condições ideais de manejo. “Se o solo não for bem manejado, ele se degrada rapidamente e perde sua capacidade produtiva”, destacou.
Erosão e clima são principais desafios
Entre os principais problemas enfrentados atualmente está a erosão, intensificada pelos eventos climáticos extremos. O excesso de chuvas em curtos períodos tem causado a perda da camada superficial do solo — justamente a mais rica em nutrientes.
“Quando essa camada é levada pela água, o agricultor perde fertilidade e precisa investir novamente, o que gera altos custos e redução de produtividade”, afirmou.
No Rio Grande do Sul, o problema se agravou com as enchentes recentes. Estimativas apontam perdas de cerca de R$ 19 bilhões na produção agrícola e prejuízos adicionais relacionados à reposição de nutrientes e recuperação das áreas.
Além disso, aproximadamente 106 mil hectares podem ter perdido até 20 centímetros de solo fértil — um impacto extremamente grave, considerando que a formação de apenas 1 centímetro de solo pode levar cerca de 400 anos.
Manejo adequado é fundamental
Para evitar a degradação, a recomendação é manter o solo sempre coberto com plantas, mesmo fora das culturas principais. O uso de plantas de cobertura, rotação de culturas e redução do revolvimento do solo são práticas essenciais.
“Não se pode mais deixar a lavoura exposta, especialmente em períodos de maior incidência de chuva. A cobertura vegetal protege o solo e reduz a erosão”, explicou.
Outro ponto importante é o equilíbrio entre as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. A especialista ressaltou que apenas a adubação química não garante produtividade.
“A planta precisa de um solo estruturado, com porosidade adequada, presença de micro-organismos e boa infiltração de água. Sem isso, os nutrientes aplicados não são bem aproveitados”, disse.
Diversidade é chave para sustentabilidade
A redução da diversidade de culturas e de organismos no solo também tem contribuído para o aumento de doenças e plantas daninhas.
“Quanto menor a diversidade biológica, maior a incidência de problemas. O solo precisa ser visto como um ecossistema vivo”, destacou.
Segundo Nidgia, práticas como integração lavoura-pecuária, uso de diferentes espécies ao longo do ano e incremento de matéria orgânica ajudam a melhorar a qualidade do solo e reduzir a necessidade de fertilizantes ao longo do tempo.
Tipos de solo na região
Na região, predominam os chamados Latossolos Vermelhos, caracterizados pela coloração avermelhada e boa quantidade de argila, o que favorece a retenção de água.
No entanto, esses solos apresentam limitações, como acidez elevada e presença de alumínio, exigindo correção com calcário e adubação constante.
Mesmo dentro de uma mesma propriedade, podem existir variações de solo, o que exige manejo diferenciado por parte do produtor.
Recuperação é lenta e custosa
A especialista também alertou para os riscos da desertificação, que ocorre quando o solo perde sua capacidade produtiva devido à degradação intensa.
“Nesses casos, é preciso reconstruir toda a estrutura biológica do solo, o que pode levar décadas e exige altos investimentos”, explicou.
Por isso, a principal estratégia é a prevenção. “Evitar a degradação é muito mais eficiente e econômico do que recuperar um solo já comprometido”, reforçou.
Solo: base da vida
Por fim, Nidgia destacou a importância de valorizar o solo não apenas como recurso econômico, mas como parte essencial do ecossistema.
“Quanto mais rico e equilibrado for o solo, melhor será a qualidade de vida de todos nós. Ele sustenta a produção de alimentos e a biodiversidade”, concluiu.
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