Delegado Marcelo Gasparetto alerta para aumento de casos de feminicídio e destaca importância das medidas protetivas
Em entrevista à programação da emissora, o delegado da Polícia Civil da comarca de Horizontina, Marcelo Gasparetto, falou sobre o crescimento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul e destacou a importância da denúncia e das medidas protetivas para prevenir a violência contra a mulher.
Gasparetto, que já atuou por muitos anos como delegado no município de Soledade e é conhecido na região de Espumoso e Soledade, explicou que o feminicídio é caracterizado quando a morte da mulher ocorre em razão do gênero, geralmente em contexto de violência doméstica ou familiar.
Segundo ele, historicamente, esses crimes eram tratados apenas como homicídio. No entanto, a legislação evoluiu e hoje o feminicídio é considerado um crime específico, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão, podendo alcançar até 60 anos em casos com agravantes, como quando o crime ocorre na presença de filhos, contra gestantes ou contra vítimas em situação de maior vulnerabilidade.
O delegado destacou que o aumento dos casos é resultado de uma série de fatores complexos, entre eles questões culturais, machismo, consumo de álcool ou drogas e conflitos familiares.
Outro ponto importante abordado foi a eficácia das medidas protetivas. Gasparetto citou dados recentes que mostram que, entre os casos de feminicídio registrados no estado, a grande maioria das vítimas não possuía medida protetiva de urgência.
“De 20 casos analisados recentemente, 17 vítimas não tinham medida protetiva. Isso mostra que, quando a vítima busca ajuda e solicita proteção, as chances de evitar uma tragédia são muito maiores”, explicou.
O delegado também ressaltou que a violência doméstica costuma ocorrer em um ciclo progressivo, que inicia com agressões verbais, ameaças e episódios de violência física, podendo evoluir até crimes mais graves caso não seja interrompido.
Ele ainda destacou que atualmente a legislação avançou, permitindo que qualquer pessoa possa denunciar casos de violência doméstica, inclusive de forma anônima, sem depender exclusivamente da vítima.
Gasparetto reforçou a importância de que mulheres que estejam em situação de risco procurem ajuda junto às autoridades policiais e órgãos de proteção.
“Hoje existem mecanismos mais eficazes para proteger essas mulheres, como o afastamento do agressor, monitoramento com tornozeleira eletrônica e abrigos de proteção. É fundamental que a vítima denuncie”, concluiu.
Acompanhe o podcast a seguir:




