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Mais de seis décadas de campo e diversificação na propriedade de José Adriano Parizotto

Produtor do Arroio da Prata, em Espumoso, faz da família, da rotação de culturas e da visão de futuro a base da atividade agrícola
Mais de seis décadas de campo e diversificação na propriedade de José Adriano Parizotto
19.02.2026 10h30  /  Postado por: rodrigosiga007

Aos 63 anos, o produtor José Adriano Parizotto, o Juca, do Arroio da Prata, em Espumoso, carrega uma história de mais de seis décadas ligada à agricultura, construída em família e sempre olhando para adiante. Desde cedo, ele cresceu em meio às lavouras, acompanhando o trabalho dos pais e avós, em uma atividade que já atravessa gerações e ajudou a formar o patrimônio e a identidade da família. Ao longo da trajetória, marcam sua memória as safras difíceis, os anos de clima desafiador, mas também os momentos de boa produtividade em que o esforço de todo o ano se transformou em colheita farta e sensação de dever cumprido.

Hoje, a rotina na propriedade é compartilhada com a família, que participa ativamente do dia a dia. Cada um tem sua função: enquanto Juca lidera o planejamento das lavouras e acompanha de perto as operações de campo, familiares auxiliam em tarefas como manejo, controle de máquinas, organização de insumos e decisões sobre investimentos. As escolhas importantes não são tomadas sozinho: são discutidas em conjunto, equilibrando experiência e novas ideias, especialmente quando o assunto é tecnologia, mudança de manejos ou ampliação da diversificação.

Na área produtiva, a fazenda tem como base as culturas de milho e soja, complementadas pelo plantio de inverno, como trigo, aveia ou outras opções de cobertura, além de áreas que podem ser usadas para pastagens, conforme a necessidade de cada safra. A decisão de diversificar, em vez de apostar em apenas uma cultura, surgiu da necessidade de reduzir riscos, melhor aproveitar o solo durante todo o ano e buscar maior estabilidade de renda. Em vez de deixar áreas ociosas, o produtor optou por manter o campo sempre em uso, com sucessão e rotação de culturas, prática que estudos mostram ser importante tanto para produtividade quanto para a saúde do solo.

O planejamento anual segue um calendário bem definido: época de milho, época de soja e, na sequência, a implantação das culturas de inverno, seja com grãos comerciais ou plantas de cobertura. Essa organização permite distribuir melhor o uso de máquinas, mão de obra e insumos ao longo do ano, além de alinhar o manejo às janelas ideais de clima e solo. Desde que adotou um sistema mais diversificado, Juca percebeu ganhos em produtividade, maior estabilidade de resultados e menor exposição a quebras totais em anos de problemas climáticos ou de preço em uma cultura específica, em linha com o que apontam especialistas sobre a diversificação como estratégia de segurança econômica.

No inverno, as culturas implantadas exercem papel central na sustentabilidade do sistema. O plantio de trigo, aveia ou outras espécies ajuda a manter o solo coberto, produz palhada, contribui para ciclagem de nutrientes e, em muitos casos, ainda gera renda adicional. Para o produtor, o inverno é tão importante quanto o verão: é o período em que se prepara a base para a próxima safra de soja e milho. A palhada e as raízes dessas culturas melhoram a estrutura do solo, favorecem a infiltração de água, ajudam no controle de plantas daninhas e podem elevar o potencial produtivo da lavoura de verão seguinte, como reforçam estudos sobre rotação de culturas. Em sua avaliação, o plantio de inverno cumpre dupla função: é, ao mesmo tempo, renda extra e ferramenta de conservação do solo.

Do ponto de vista econômico, Juca enxerga a diversificação como um “escudo” contra imprevistos. Em anos em que o clima prejudica uma cultura ou os preços caem, outra atividade da propriedade ajuda a “segurar as pontas”, evitando que toda a renda dependa de um único resultado. Com o sistema atual, ele percebe que a renda da família se tornou mais estável ao longo do ano, o que facilita o planejamento financeiro, o pagamento de compromissos e novos investimentos. Se tivesse de resumir para outro produtor por que vale a pena diversificar, diria que é uma forma de diminuir a dependência de uma só safra e de um só preço, ganhando tranquilidade para atravessar momentos difíceis sem colocar em risco o futuro da propriedade.

A família tem papel decisivo também na hora de pensar o amanhã. As decisões de investimento, adoção de novas tecnologias, compra de máquinas ou mudanças de manejo são discutidas coletivamente, considerando o impacto para as próximas gerações. Os filhos e jovens da família são incentivados a participar das reuniões, aprender sobre custos, entender o funcionamento da propriedade e se envolver nas atividades, abrindo caminho para uma sucessão planejada e consciente. Juca deseja que, nos próximos 10 a 20 anos, a propriedade siga em mãos da família, com solo cada vez mais bem cuidado, sistemas produtivos diversificados e uma gestão que una a experiência de quem já viveu muitas safras com a inovação de quem está chegando agora ao campo.

Acompanhe o podcast:

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