Casos de AVC aumentam entre pessoas jovens e acendem alerta para prevenção
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), tradicionalmente associado à população idosa, tem apresentado crescimento preocupante entre pessoas mais jovens no Brasil. O tema foi destaque em entrevista concedida pela Paula Adriana Rodrigues, neuropsicóloga do Hospital Albert Einstein (SP), parceiro da NeuronUP, que participou de uma conversa ao vivo para alertar sobre causas, sinais, prevenção e reabilitação da doença.
Segundo dados do Ministério da Saúde, houve um aumento de 63% nos casos de AVC entre pessoas de 18 a 59 anos nos primeiros nove meses de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. A especialista explica que, embora o envelhecimento ainda seja o principal fator de risco, hábitos de vida inadequados e condições clínicas mal controladas têm contribuído para o crescimento dos casos entre jovens.
Entre os principais fatores de risco estão hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, colesterol e triglicerídeos elevados, além do uso de anabolizantes, drogas e até a combinação de cigarro com anticoncepcionais hormonais. O estresse crônico, a privação de sono e o ritmo acelerado da vida moderna também atuam como fatores agravantes.
A neuropsicóloga destaca que o AVC ocorre, na maioria das vezes, de forma súbita, principalmente no tipo isquêmico, o mais comum, causado pela obstrução de um vaso sanguíneo no cérebro. Já o AVC hemorrágico, menos frequente, costuma ser mais grave, por envolver o rompimento de um vaso.
Sinais de alerta
Entre os principais sinais de AVC estão: fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, dificuldade para falar, desvio da boca, perda súbita de força, alterações na visão, dor de cabeça intensa e confusão mental. Diante de qualquer suspeita, a orientação é buscar atendimento médico imediato, pois o tempo é decisivo para reduzir sequelas.
Prevenção e acompanhamento
A prevenção passa, principalmente, pelo acompanhamento médico regular, realização de exames de rotina e controle rigoroso dos fatores de risco. “Muitas vezes, a hipertensão e o diabetes não apresentam sintomas, e a pessoa acredita que está bem. Por isso, o acompanhamento é fundamental”, reforça a especialista.
Pós-AVC e reabilitação
As sequelas após um AVC variam conforme a área do cérebro atingida, a extensão da lesão e a rapidez do atendimento. Podem ocorrer dificuldades motoras, de fala, memória, atenção e linguagem. A recuperação depende de um trabalho multidisciplinar, envolvendo neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e neuropsicólogos.
A especialista finaliza reforçando que o AVC é um grave problema de saúde pública, com impacto não apenas individual, mas também familiar e social. “Prevenir ainda é o melhor caminho. Mudanças de hábitos podem parecer difíceis no início, mas fazem toda a diferença na saúde e na qualidade de vida”, conclui.
Confira o podcast a seguir:




