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Pandemia impõe desafios para levar o alimento do campo à mesa do consumidor

Pandemia impõe desafios para levar o alimento do campo à mesa do consumidor
25.03.2020 14h55  /  Postado por: adrianolima

Tão importante quanto manter o sistema de saúde funcionando em meio à pandemia gerada pelo coronavírus é conseguir fazer chegar alimento à mesa da população. Mas o agronegócio enfrenta inúmeras dificuldades para manter toda a cadeia funcionando adequadamente, da produção ao beneficiamento, passando pelo transporte. Um país sem comida, assim como o ser humano, entraria em um colapso ainda maior.

Os entraves ao abastecimento incluem restrições gerais impostas à circulação de pessoas, à disponibilidade de alguns insumos e à logística que une a produção rural, as indústrias, o meio urbano e o comércio em geral. Foi para que essa grande engrenagem não parasse que diferentes atividades ligadas à produção, beneficiamento e distribuição de alimentos foram incluídas na Medida Provisória 926/20 e no Decreto Federal nº 10.282/20, publicados no dia 20 de março pelo governo federal.
Da mesma forma, atividades de suporte ao setor (como revenda de insumos e serviços mecânicos, por exemplo), passaram ter mais flexibilidade de operação em meio a tantas restrições desde então. Antes do decreto, por exemplo, frigoríficos de Santa Catarina, por exemplo, chegaram a se impedidos de funcionar.
No momento, grande parte dos agricultores gaúchos se volta para o meio das lavouras de soja. Apesar de a colheita estar fluindo e com entraves apenas para realização de laudos de seguro rural, os problemas específicos dos produtores que estão na colheita estão razoavelmente sob controle, avalia o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira.
Alguns problemas ocorreram antes da MP, principalmente, diz Gedeão, entre produtores que precisam de peças de reposição e não conseguiam obter junto a revendas e concessionárias, que não podiam abrir. Atividades de comércio de produtos veterinários e de agropecuária foram consideradas essenciais.
“Sem comida, e sem o apoio técnico necessário para produzi-la, a pandemia seria ampliada pela fome. A produção de alimentos é tão essencial quanto os serviços de saúde”, defende o produtor.
Para que o setor não pare, explica o presidente da Farsul, é preciso ter acesso a serviços técnicos, insumos, peças para máquinas, atendimento de serviços mecânicos em máquinas que estão no campo, assim como câmaras frias funcionando corretamente dentro dos frigoríficos, por exemplo, no setor de carnes. Assim como a continuidade dos trabalhos no porto de Rio Grande, para que os estoques de grãos não se avolumem de tal forma que venha a impedir, nas próximas semanas, os embarques da soja que está sendo colhida, por exemplo.
“Inicialmente, o porto nos informa que mantém suas atividades inalteradas, inclusive com acordo assinado pelo sindicato dos trabalhadores portuários. Até agora, inclusive os embarques de gado em pé estava mantidos”, diz Gedeão.
Se dentro da porteira, digamos assim, os problemas estão razoavelmente sob controle e com a produção de alimentos diversos fluindo, o entrave mais frequente é o transporte entre uma ponta e outra. O produtor de leite, por exemplo, acaba precisando de coleta diária para enviar leite à indústria de beneficiamento. O avicultor necessita receber ração com frequência, apoio veterinário em alguns casos, e enviar animais para o abate. A demanda diária de deslocamentos também afeta quem produz alimentos frescos, como frutas e hortaliças, destaca o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Joel da Silva.
Fonte: Jornal do Comércio
Foto: Marcelo G. Ribeiro/JC
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