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Agricultura

Agrofel destaca importância da agronomia, gestão e novas alternativas para o produtor rural

Agrofel destaca importância da agronomia, gestão e novas alternativas para o produtor rural
14.09.2026 08h00  /  Postado por: rodrigosiga007

O agronegócio atravessa um período de constantes transformações, marcado por desafios climáticos, margens mais estreitas, oscilações de mercado e pela necessidade de adoção de novas estratégias para garantir a rentabilidade no campo. Nesse cenário, o trabalho dos profissionais da Agronomia ganha cada vez mais importância, não apenas pelo conhecimento técnico, mas também pela capacidade de acompanhar o produtor e contribuir diretamente para a tomada de decisões.

Em entrevista ao programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, neste sábado (12), Fellipe Flores Roso, gerente comercial de Grãos da Agrofel Espumoso, falou sobre o papel dos profissionais ligados à Agronomia, os desafios enfrentados pelo setor e as estratégias utilizadas para aproximar produtores, mercado e empresa.

Natural de Santa Maria, Fellipe é formado em Gestão de Cooperativas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e atua há aproximadamente sete anos no agronegócio, especialmente na gestão de unidades. Está há quatro anos na Agrofel, tendo passado pela unidade de Santa Maria e, posteriormente, atuado durante dois anos em Júlio de Castilhos. Há cerca de dois meses, assumiu a função em Espumoso.

O agrônomo como profissional técnico e gestor

Ao abordar a importância do engenheiro agrônomo dentro de uma empresa voltada ao recebimento e à comercialização de grãos, Fellipe destacou que o profissional exerce também uma importante função de gestão.

Segundo ele, o engenheiro agrônomo acompanha diretamente uma carteira de produtores, conhece as necessidades de cada cliente e realiza um trabalho próximo ao campo, com visitas e acompanhamento periódico. Dessa forma, além da orientação técnica, o profissional passa a compreender o perfil de cada produtor e pode contribuir para decisões relacionadas ao planejamento e à rentabilidade da propriedade.

Para Fellipe, essa proximidade é fundamental para o funcionamento de uma unidade, pois permite à empresa compreender melhor as características de cada cliente e oferecer soluções mais adequadas às suas necessidades.

A Agrofel, segundo informações apresentadas durante a entrevista, conta atualmente com aproximadamente 50 unidades e atende cerca de 650 municípios. A empresa completou 49 anos em junho de 2026 e se prepara para celebrar cinco décadas de atuação no próximo ano.

De acordo com Fellipe, o corpo técnico da empresa é formado por profissionais contratados pela própria Agrofel, além do suporte de um departamento técnico e de desenvolvedores de mercado. A empresa também mantém parcerias com outras organizações, muitas delas envolvendo engenheiros agrônomos e pesquisadores, ampliando o suporte oferecido aos profissionais que estão diretamente em contato com os produtores.

Experiência de gestão e chegada a Espumoso

A chegada a Espumoso representa um novo desafio na trajetória profissional de Fellipe. Antes de assumir a unidade local, ele estava à frente da gestão da Agrofel em Júlio de Castilhos.

Ele contou que ainda não conhecia profundamente a região e seus produtores quando surgiu a oportunidade, mas já possuía referências de pessoas que haviam trabalhado na unidade. Agora, com aproximadamente dois meses de atuação, o gerente destaca que ainda está conhecendo o território e as particularidades do mercado local.

A unidade de Espumoso conta atualmente com 12 colaboradores, distribuídos entre as áreas administrativa, comercial e operacional. A partir da estrutura local, a Agrofel mantém atuação em municípios da região, como Tapera, Espumoso, Soledade, Barros Cassal, Jacuizinho e Salto do Jacuí. A empresa também conta com unidades próximas em municípios como Fortaleza dos Valos, Ibirubá e Passo Fundo.

Essa capilaridade, segundo Fellipe, permite que a empresa mantenha proximidade com os produtores e acompanhe de maneira mais efetiva as demandas do agronegócio regional.

Clima, custos e mudanças no comportamento do produtor

Com sete anos de experiência direta no setor, Fellipe também avaliou as mudanças observadas no agronegócio nos últimos anos. Para ele, o produtor rural tem enfrentado períodos cada vez mais desafiadores, especialmente em razão das interferências climáticas e das oscilações do mercado.

Nesse contexto, o produtor passou a olhar com ainda mais atenção para o custo de produção, as formas de negociação e as estratégias capazes de proteger sua margem de rentabilidade.

Fellipe ressaltou que, diante de margens mais estreitas, tanto empresas quanto produtores precisam se adaptar constantemente. A busca por alternativas, novas tecnologias e diferentes formas de comercialização passou a fazer parte da rotina do setor.

Segundo o gerente, essa necessidade de adaptação não é uma novidade para a Agrofel. Ao longo de quase cinco décadas de história, a empresa também precisou se reinventar diante das diferentes condições econômicas e produtivas encontradas no mercado.

Diversificação como alternativa para o produtor

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a necessidade de diversificação das culturas. Diante das dificuldades enfrentadas por algumas culturas de inverno, principalmente em relação aos preços, Fellipe destacou que a Agrofel vem trabalhando para apresentar alternativas aos produtores.

Entre elas está a canola, cultura que, segundo ele, passou a receber maior atenção da empresa nos últimos anos. A Agrofel conta com a Bunge como parceira em operações relacionadas à comercialização e exportação e, conforme explicado na entrevista, há aproximadamente três anos a empresa vem incentivando produtores a apostar na canola como alternativa de inverno.

Fellipe classificou a cultura como uma espécie de “soja do inverno”, principalmente em razão das possibilidades de comercialização, do custo de produção e das perspectivas de rentabilidade.

Além da canola, o sorgo também vem sendo apresentado como uma alternativa, enquanto culturas tradicionais como milho e trigo continuam fazendo parte das opções disponíveis ao produtor. Mesmo com dificuldades enfrentadas pelo trigo em relação à valorização, Fellipe considera a cultura importante dentro de uma estratégia de diversificação.

Ferramentas de comercialização e proteção de preços

A comercialização dos grãos também ganhou destaque na conversa. Fellipe explicou que a Agrofel disponibiliza diferentes ferramentas para que o produtor tenha alternativas além da negociação convencional.

Entre essas possibilidades estão operações que permitem ao produtor estruturar seu preço e trabalhar separadamente componentes relacionados ao mercado, reduzindo sua exposição às oscilações.

O gerente ressaltou ainda a importância do planejamento nas operações de compra e venda. Segundo ele, ao realizar uma operação com o produtor, a empresa busca automaticamente realizar a proteção correspondente, repassando o produto e casando as operações para reduzir a exposição às oscilações do mercado e diminuir o risco financeiro.

Safras frustradas afetam toda a economia regional

Durante a entrevista, também foi abordado o impacto das frustrações de safra sobre as cidades cuja economia depende diretamente da agricultura.

Em municípios com forte presença do agronegócio, uma produção abaixo do esperado não afeta somente o produtor rural. A redução da renda no campo pode atingir toda a cadeia econômica, refletindo no comércio, nos serviços e em outros setores que dependem da movimentação proporcionada pela atividade agrícola.

Fellipe destacou que existe uma expectativa muito grande por parte do produtor em relação à produtividade. Depois de meses de trabalho, investimentos e cuidados com a lavoura, a expectativa é de uma boa colheita que permita honrar compromissos e garantir a continuidade da atividade.

Quando esse resultado não acontece, os impactos são sentidos tanto pelo produtor quanto pelos demais integrantes da cadeia.

Barter como ferramenta de proteção

Nesse cenário de incertezas, Fellipe também explicou a importância de mecanismos como o barter, utilizado como uma forma de proteção do custo de produção.

Na prática, o produtor pode realizar determinadas compras convertendo o valor da operação em quantidade de produto, como sacas de soja. Dessa maneira, parte do custo fica vinculada ao grão, reduzindo a exposição do produtor às oscilações futuras do mercado.

A estratégia busca proporcionar maior previsibilidade financeira e contribuir para que o produtor consiga planejar melhor seus custos, especialmente em um cenário de preços e condições de produção instáveis.

Capacidade de armazenagem e estrutura da unidade

Durante a conversa, Fellipe também apresentou informações sobre a estrutura da Agrofel em Espumoso. Segundo ele, a unidade possui capacidade de armazenagem de aproximadamente 180 mil sacas.

O gerente explicou ainda que a empresa conta com uma estrutura logística que permite ampliar o volume recebido anualmente, dando maior capacidade de atendimento aos produtores durante os períodos de recebimento da produção.

Perfil do profissional do agronegócio

Ao falar especificamente sobre o profissional que pretende ingressar no mercado, Fellipe destacou características como dedicação, confiança, capacidade de adaptação, resiliência e disposição para aprender continuamente.

Para ele, a formação acadêmica é apenas uma etapa da trajetória profissional. O agronegócio está em constante evolução, com novas tecnologias, ferramentas de comercialização e possibilidades de diversificação surgindo continuamente.

Nesse sentido, o engenheiro agrônomo precisa ampliar seus conhecimentos e compreender não apenas os aspectos técnicos da produção, mas também fatores relacionados à comercialização e à tomada de decisão.

Fellipe considera que o profissional deve atuar como um influenciador positivo junto ao produtor, auxiliando na avaliação das alternativas disponíveis e contribuindo para decisões mais eficientes.

Ele também destacou a qualificação da equipe técnica da Agrofel em Espumoso, formada por profissionais que conhecem a região e procuram oferecer aos produtores as melhores condições possíveis dentro de cada cenário.

Agronomia é fundamental para o futuro do agronegócio

Ao final da entrevista, Fellipe deixou uma mensagem de valorização aos profissionais da Agronomia pela passagem do Dia Mundial do Agrônomo, celebrado neste domingo (13).

Segundo o gerente, os engenheiros agrônomos são profissionais imprescindíveis para a continuidade do agronegócio, especialmente diante da necessidade permanente de buscar novas possibilidades, tecnologias e oportunidades para o produtor rural.

Fellipe destacou ainda que a Agrofel valoriza esses profissionais e reconhece a importância do trabalho desenvolvido por eles na orientação dos produtores e na busca por soluções para os desafios encontrados no campo.

A entrevista também abriu espaço para futuras participações de profissionais da Agrofel no Rumo ao Campo, com a possibilidade de novos conteúdos voltados à safra, às condições do mercado e a informações técnicas para os produtores da região.

A conversa reforçou que, em uma atividade cada vez mais marcada pela necessidade de planejamento, conhecimento técnico e gestão de riscos, a integração entre profissionais, empresas e produtores é fundamental para fortalecer o campo e, consequentemente, toda a economia dos municípios que têm no agronegócio uma de suas principais bases.

Confira o podcast completo abaixo.

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