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Desconfiança sobre IA em notícias reforça espaço do rádio como fonte confiável de informação, aponta estudo

Desconfiança sobre IA em notícias reforça espaço do rádio como fonte confiável de informação, aponta estudo
31.07.2026 10h00  /  Postado por: Jornalismo
Levantamento internacional revela forte resistência ao uso da inteligência artificial na produção de notícias, destaca diferenças entre países e perfis demográficos

O avanço da inteligência artificial generativa na produção de conteúdos amplia a preocupação dos consumidores com a credibilidade das informações, especialmente no jornalismo. Um estudo internacional realizado pela YouGov em parceria com a Meltwater mostra que apenas 21% dos entrevistados consideram aceitável o uso de IA em conteúdos jornalísticos, enquanto 73% temem que a tecnologia seja utilizada para criar notícias falsas ou golpes. O cenário reforça tendências observadas em pesquisas recentes destacadas pelo tudoradio.com, que apontam o rádio como uma das mídias de maior confiança para consumo de notícias e com baixa associação à disseminação de fake news.

O levantamento, intitulado Trust in the Age of Generative AI, ouviu 9.869 adultos em sete mercados (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos) e analisou tanto a percepção dos consumidores quanto mais de 150 milhões de menções sobre inteligência artificial em plataformas digitais e veículos de comunicação ao longo dos últimos 12 meses. A principal conclusão é que a aceitação da IA depende diretamente do contexto em que ela é utilizada.

O uso da tecnologia é considerado aceitável por 53% dos entrevistados em conteúdos de entretenimento, por 47% em publicidade de produtos e por 44% em materiais educacionais. Em contrapartida, a aprovação cai para 39% em atendimento ao consumidor, 28% em marketing de influência, 21% em reportagens jornalísticas e apenas 18% em publicidade política, indicando que a confiança do público é significativamente maior quando o conteúdo envolve informação e interesse público.

Essa percepção converge com uma pesquisa divulgada recentemente pelo tudoradio.com. A publicação mostrou que o rádio supera podcasts, mídia impressa e ferramentas de inteligência artificial como fonte de notícias nos Estados Unidos, mantendo posição de destaque entre os meios utilizados para informação mesmo em um cenário de crescimento das plataformas digitais e das soluções baseadas em IA.

Preocupação com desinformação lidera entre os consumidores

Entre os entrevistados, 73% afirmam estar preocupados com o uso da IA para criação de notícias falsas ou golpes, enquanto 69% temem que conteúdos produzidos pela tecnologia possam conter informações incorretas ou enganosas. Outros 67% demonstram preocupação com a dificuldade de distinguir conteúdos criados por pessoas daqueles gerados artificialmente.

O estudo também revela outras preocupações relacionadas ao avanço da IA. 67% acreditam que a tecnologia pode reduzir oportunidades para escritores, artistas e outros criadores, 64% receiam o uso indevido de obras sem atribuição de créditos, 61% apontam falta de criatividade ou de perspectiva humana nos conteúdos gerados artificialmente e 58% demonstram preocupação com a ausência de regras mais claras para regulamentar a tecnologia.

Os resultados também dialogam com outro levantamento destacado pelo tudoradio.com em março deste ano, segundo o qual o rádio apresenta uma das menores associações à disseminação de fake news. Na pesquisa, apenas 1% dos entrevistados relacionaram o meio à propagação de desinformação, enquanto a internet concentrou a maior parte das citações.

Diferenças entre países

A pesquisa mostra diferenças importantes na percepção da inteligência artificial entre os mercados analisados. Reino Unido e Estados Unidos registram os maiores níveis de preocupação em praticamente todos os aspectos avaliados, incluindo desinformação, dificuldade para identificar conteúdos produzidos por IA, uso indevido de informações e impactos sobre empregos criativos. Em contrapartida, Alemanha, França e principalmente Singapura apresentam níveis mais baixos de preocupação e maior aceitação da tecnologia.

O levantamento também aponta diferenças quanto ao entusiasmo em relação ao futuro da IA. Enquanto apenas 39% dos entrevistados, em média, afirmam estar otimistas sobre o avanço da tecnologia, o índice é mais elevado em Singapura e Alemanha e mais baixo no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Homens e jovens são mais otimistas

A percepção sobre a inteligência artificial também varia conforme o perfil demográfico. 45% dos homens afirmam estar entusiasmados com o futuro da IA, contra 34% das mulheres. A diferença também aparece entre as faixas etárias: entre pessoas de 25 a 34 anos, 48% demonstram otimismo em relação à tecnologia, percentual que cai para 31% entre entrevistados com 55 anos ou mais.

Transparência passa a ser fator decisivo

Outro ponto destacado pelo levantamento é a crescente exigência por transparência na utilização da inteligência artificial. Ao todo, 86% dos entrevistados afirmam considerar importante que empresas e organizações informem quando um conteúdo foi produzido com auxílio de IA. Para 59%, a falta dessa informação reduz a confiança nas marcas, enquanto 63% dizem confiar menos quando o uso da tecnologia parece enganoso. Além disso, 49% afirmam que perderiam confiança caso a IA substituísse completamente os criadores humanos, percentual que sobe para 45% quando a tecnologia é utilizada em temas sensíveis, como notícias, saúde e política.

Embora 58% afirmem acreditar que conseguem identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial, 87% demonstram preocupação com a dificuldade que outras pessoas terão para distinguir materiais criados por humanos daqueles gerados artificialmente.

Redes sociais concentram as discussões sobre IA

A análise realizada pela Meltwater mostra ainda que as conversas sobre inteligência artificial cresceram 53% entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Desse total, 92% dos conteúdos com maior engajamento tiveram origem nas redes sociais, com destaque para o TikTok, enquanto apenas 8% partiram de veículos jornalísticos online.

Apesar da menor participação, a cobertura produzida pela imprensa apresentou percepção mais positiva sobre a IA do que as conversas registradas nas redes sociais, onde predominam abordagens neutras e críticas à tecnologia. Os autores do estudo concluem que, à medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente na produção de conteúdos, fatores como transparência, participação humana e credibilidade tendem a ganhar ainda mais importância para empresas, marcas e veículos de comunicação.

Com informações do YouGov

Fonte: Tudo Rádio
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