Cardiologista reforça importância da prevenção ao infarto
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de mortes no mundo, mas grande parte desses casos pode ser evitada com prevenção, diagnóstico precoce e controle dos fatores de risco. O tema foi abordado pelo cardiologista e intervencionista cardíaco Dr. Márcio Balbinotti, durante entrevista ao programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário FM, nesta sexta-feira (24).
Especialista em cardiologia intervencionista, área responsável pelo tratamento de pacientes com infarto por meio de procedimentos como cateterismo e angioplastia, o médico destacou que, embora atue diariamente no atendimento de casos graves, o principal objetivo da medicina deve ser evitar que a doença chegue a esse estágio.
Segundo ele, o infarto representa a fase final de um processo que pode levar décadas para se desenvolver. A aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, evolui de forma silenciosa até provocar obstruções capazes de causar infarto no coração ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Estilo de vida pesa mais que a genética
Durante a entrevista, Dr. Márcio explicou que a genética exerce influência importante sobre o risco cardiovascular, porém representa cerca de 30% das causas da doença. Os outros 70% estão diretamente relacionados ao estilo de vida e aos hábitos adotados ao longo dos anos.
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo e colesterol elevado. Conforme o cardiologista, esses fatores precisam ser controlados de forma rigorosa, já que são os principais responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose.
Ele ressaltou que não basta apenas utilizar medicamentos. É fundamental que doenças como a hipertensão estejam realmente controladas, com acompanhamento médico frequente e ajustes na medicação sempre que necessário.
Pressão alta e cigarro merecem atenção especial
Na avaliação do especialista, controlar a pressão arterial e abandonar o cigarro são duas das medidas mais eficazes para reduzir significativamente o risco de infarto.
Além disso, destacou que o diabetes exige mudanças importantes na rotina, principalmente em relação à alimentação, perda de peso e prática de atividades físicas. Apesar disso, lembrou que atualmente existem medicamentos modernos e bastante eficazes tanto para o controle da glicemia quanto para o tratamento da obesidade.
Em relação ao colesterol, Dr. Márcio explicou que não existe um valor considerado ideal para todas as pessoas. O tratamento deve ser individualizado, levando em consideração o risco cardiovascular de cada paciente. Pessoas que já sofreram infarto ou possuem doença cardíaca estabelecida, por exemplo, precisam manter níveis muito mais baixos de colesterol.
O médico também citou os avanços da medicina, incluindo medicamentos injetáveis capazes de controlar casos de colesterol extremamente elevado, principalmente de origem genética.
Histórico familiar exige acompanhamento antecipado
Para pessoas com casos de infarto precoce na família, o cardiologista recomenda iniciar a investigação cerca de dez anos antes da idade em que o familiar desenvolveu a doença.
Segundo ele, quem possui pais ou irmãos que sofreram infarto por volta dos 50 anos deve procurar avaliação médica já entre os 35 e 40 anos. Nesses casos, exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassonografia das carótidas, tomografia das coronárias e escore de cálcio podem identificar sinais iniciais da aterosclerose antes do aparecimento dos sintomas.
Jovens também podem desenvolver problemas cardíacos
Durante a conversa, Dr. Márcio esclareceu que jovens também podem apresentar doenças cardiovasculares, embora, nessa faixa etária, muitas mortes súbitas estejam relacionadas a alterações congênitas do coração e não necessariamente ao infarto tradicional provocado pela obstrução das artérias.
Ele explicou que exames preventivos completos são recomendados principalmente para atletas de alto rendimento ou para pessoas que apresentam sintomas ou histórico familiar importante, não sendo necessários de forma indiscriminada para toda a população jovem.
Tratamentos modernos aumentam as chances de recuperação
Ao abordar os procedimentos realizados em pacientes com infarto, o especialista explicou que o cateterismo é o exame utilizado para identificar a obstrução das artérias coronárias, enquanto a angioplastia é o tratamento que restabelece o fluxo sanguíneo por meio da dilatação da artéria e, quando necessário, da implantação de stents.
Ele ressaltou que nem toda obstrução precisa ser tratada imediatamente. A decisão depende não apenas do percentual de estreitamento da artéria, mas também da presença de sintomas, da limitação do fluxo sanguíneo e das características clínicas de cada paciente.
O médico destacou ainda que novas tecnologias, como os balões farmacológicos, começam a oferecer alternativas ao implante de stents em casos específicos.
Medicamentos são seguros quando usados corretamente
Outro tema abordado durante a entrevista foi o uso contínuo de medicamentos para o coração.
Segundo Dr. Márcio, os remédios utilizados atualmente apresentam alto grau de segurança, e os efeitos colaterais são relativamente raros. Ele explicou que medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários — popularmente conhecidos como “afinadores do sangue” — devem ser utilizados apenas quando existe indicação médica clara, principalmente em pacientes que já possuem doença cardiovascular ou apresentam elevado risco.
Já as estatinas, utilizadas para reduzir o colesterol, continuam sendo uma das principais ferramentas na prevenção de infartos. O especialista afirmou que estudos recentes afastam a relação entre esses medicamentos e perda de memória. Casos de dores musculares podem ocorrer em uma pequena parcela dos pacientes, mas normalmente existem alternativas terapêuticas disponíveis.
Dor no peito nunca deve ser ignorada
Ao final da entrevista, Dr. Márcio fez um alerta para que a população esteja atenta aos sinais do infarto.
Ele explicou que a dor costuma surgir no centro do peito, em forma de aperto, pressão ou queimação, podendo irradiar para os braços, ombros, mandíbula, costas ou região do estômago. Em muitos casos, a dor aparece durante esforços físicos, melhora com o repouso e retorna repetidamente, podendo anteceder um infarto nos dias ou semanas seguintes.
Diante desses sintomas, a recomendação é procurar imediatamente atendimento médico para realização de eletrocardiograma e exames laboratoriais, permitindo o diagnóstico precoce e aumentando significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.
Prevenção continua sendo o melhor tratamento
Durante toda a entrevista, o cardiologista reforçou que os avanços da medicina permitiram importantes evoluções no tratamento das doenças cardiovasculares. No entanto, segundo ele, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir a incidência de infartos e AVCs.
A adoção de hábitos saudáveis, controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, abandono do cigarro, prática regular de atividade física e acompanhamento médico periódico permanecem como as medidas mais eficazes para preservar a saúde do coração e aumentar a qualidade de vida da população.
Acompanhe o podcast completo abaixo.




