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Antônio Vanini relembra trajetória de mais de seis décadas na panificação

O panificador, padeiro e confeiteiro Antônio Vanini foi o entrevistado do programa Giro da Notícia nesta terça-feira (8), data em que é celebrado o Dia do Panificador. Reconhecido como um dos profissionais mais tradicionais de Espumoso, ele compartilhou a história construída ao longo de mais de 65 anos dedicados à panificação, confeitaria e produção artesanal de alimentos.

Natural de Erebango, Vanini contou que começou a trabalhar ainda muito jovem, quando foi convidado para auxiliar em uma padaria no município de Estação. Inicialmente responsável por tarefas simples, como acender o forno e preparar as formas, logo passou a aprender as técnicas de produção do tradicional pão d’água, descobrindo a profissão que definiria toda a sua trajetória.

Ao longo da carreira, atuou em diferentes municípios gaúchos, como Estação, Não-Me-Toque, Ronda Alta e Sertão, até receber o convite para vir a Espumoso. A proposta partiu do empresário Guilherme Joaquim Rota, que buscava um profissional experiente para implantar a panificação no então Mercado Rota. Em pouco mais de um mês, Vanini já havia montado os equipamentos e iniciado a produção, permanecendo por muitos anos na empresa e tornando-se uma das principais referências do setor no município.

Durante a entrevista, ele destacou que acompanhou todas as transformações da panificação. Recordou a época em que o pão era produzido manualmente, com massa sovada à mão e fermentação natural, exigindo jornadas que começavam por volta das duas horas da madrugada. Segundo ele, foram mais de dez anos trabalhando diariamente nesse ritmo para garantir que a população encontrasse pão fresco logo nas primeiras horas da manhã.

Vanini também relembrou que, além da panificação, passou a atuar na confeitaria por necessidade das empresas onde trabalhou. A partir desse desafio, especializou-se na produção de tortas, bolos, salgados e doces artesanais, área na qual permanece ativo até hoje. Mesmo aposentado, continua produzindo em casa tortas, cucas, croissants, sonhos, pães recheados, salgados e capeletes artesanais, atividade que ganhou força durante a pandemia e se transformou em uma nova rotina de trabalho ao lado da esposa Jussara.

Outro destaque da entrevista foram algumas produções que marcaram sua carreira. Entre elas, a confecção de um pão com cinco metros e meio de comprimento, preparado em homenagem ao empresário Aroni Parisotto, uma torta de aproximadamente 350 quilos para a emancipação do município de Estação e uma cesta totalmente confeccionada em pão para uma das primeiras feiras realizadas em Espumoso.

Além da atuação nas padarias, Antônio Vanini também compartilhou seu conhecimento como instrutor de cursos profissionalizantes promovidos pelo Senai e pelo Senar, formando novos padeiros e confeiteiros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Atualmente, segue ministrando oficinas voltadas à comunidade, incentivando a produção artesanal e a qualificação de novos profissionais.

Durante a conversa, o panificador ressaltou que a qualidade dos ingredientes, o respeito ao cliente e o aperfeiçoamento constante sempre foram princípios fundamentais de seu trabalho. Segundo ele, não existe concorrência quando há dedicação e vontade de ensinar, motivo pelo qual nunca deixou de compartilhar receitas e técnicas com quem deseja aprender o ofício.

Ao celebrar o Dia do Panificador, Antônio Vanini agradeceu à comunidade de Espumoso pelo reconhecimento recebido ao longo da vida profissional e afirmou sentir orgulho por ter construído sua história no município. Para ele, a maior recompensa é continuar fazendo o que gosta, mantendo viva a tradição da panificação artesanal e contribuindo para que o conhecimento seja transmitido às novas gerações.

Acompanhe o podcast:

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