A educação como ferramenta de transformação social, a conscientização ambiental e o fortalecimento da permanência dos jovens no meio rural estão entre os principais objetivos dos projetos desenvolvidos pela Coeducars. Os temas foram abordados durante entrevista ao programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, neste sábado (13/06), com a participação da superintendente da cooperativa, Angélica Reolon da Costa, e da instrutora e integrante do Comitê de Projetos, Andréia Dal Molin.
Com sede em Tapera, a Coeducars é uma cooperativa formada por profissionais da educação que atua há mais de duas décadas na formação de jovens e no desenvolvimento de projetos sociais e educacionais. Segundo Angélica, a entidade trabalha em duas frentes principais: os programas de aprendizagem profissional e a execução de projetos voltados ao desenvolvimento humano, social e ambiental.
Entre as iniciativas de destaque está o Programa Aprendiz do Campo, que busca qualificar jovens para atuarem nas propriedades rurais de suas famílias. Diferente dos programas tradicionais de aprendizagem, onde a prática profissional ocorre em empresas ou cooperativas, neste modelo as atividades são desenvolvidas dentro da própria propriedade rural.
A proposta tem como objetivo preparar os jovens para os desafios da agricultura moderna, estimular o empreendedorismo no campo e fortalecer a sucessão familiar, um dos grandes desafios enfrentados atualmente pelo setor agropecuário.
“Precisamos mostrar aos jovens que existem oportunidades no meio rural e que eles podem construir seu futuro no campo, com conhecimento, inovação e sustentabilidade”, destacou Angélica.
Educação ambiental e ação climática
A preocupação com os impactos das mudanças climáticas também faz parte das ações da cooperativa. Neste ano, a Coeducars aprovou o projeto Formando Agentes Multiplicadores da Ação Climática, desenvolvido com recursos do Fundo Social do Sescoop.
A iniciativa busca despertar em crianças e adolescentes uma consciência ambiental mais ampla, incentivando-os a compreender os desafios climáticos e a atuar como multiplicadores de boas práticas em suas comunidades.
Segundo Angélica, a proposta surge da necessidade de preparar as novas gerações para enfrentar uma realidade cada vez mais presente no campo, marcada por estiagens, eventos climáticos extremos e desafios relacionados à produção de alimentos.
Projeto Lixo Zero mobiliza escolas da região
Outro tema central da entrevista foi o projeto Lixo Zero, desenvolvido pela Coeducars dentro do programa Cotriel Educando para o Campo.
A iniciativa atende estudantes do 6º e 7º ano de escolas rurais dos municípios de Espumoso, Alto Alegre, Campos Borges, Jacuizinho, Salto do Jacuí e Tunas, promovendo atividades práticas e educativas relacionadas à sustentabilidade.
Andréia Dal Molin explicou que o projeto busca ir além da simples separação de resíduos, estimulando uma mudança de comportamento e de hábitos de consumo.
“O principal objetivo é fazer as pessoas refletirem sobre aquilo que consomem e sobre a responsabilidade que cada um tem pelo lixo que produz”, ressaltou.
O conceito de Lixo Zero trabalha os chamados cinco “R’s” da sustentabilidade:
Repensar;
Recusar;
Reduzir;
Reutilizar;
Reciclar.
A proposta é mostrar que a reciclagem deve ser o último passo, sendo mais importante evitar a geração desnecessária de resíduos.
Oficinas práticas e ações nas comunidades
O projeto prevê uma série de atividades práticas ao longo do ano. Entre elas estão oficinas sobre compostagem, reaproveitamento de alimentos e reutilização de materiais recicláveis.
Os estudantes também participam de ações de coleta de pilhas, tampinhas plásticas e embalagens de medicamentos, além de desenvolverem iniciativas voltadas ao cuidado com hortas, pomares e composteiras nas escolas.
Uma das etapas do trabalho será identificar os alimentos que mais sobram tanto nas escolas quanto nas residências dos alunos, buscando alternativas para reduzir desperdícios e incentivar o reaproveitamento de forma segura e saudável.
Segundo Andréia, além dos benefícios ambientais, o aproveitamento integral dos alimentos contribui para a economia doméstica e para uma alimentação mais nutritiva.
“Quando reaproveitamos alimentos, reduzimos desperdícios, evitamos impactos ambientais e ainda valorizamos recursos que muitas vezes seriam descartados sem necessidade”, afirmou.
Consumo consciente começa nas pequenas atitudes
Durante a entrevista, as convidadas destacaram que a construção de uma sociedade mais sustentável passa por atitudes simples do cotidiano.
Evitar o uso excessivo de embalagens, reduzir o consumo desnecessário, separar corretamente os resíduos e valorizar produtos locais são exemplos de ações que podem gerar impactos positivos para o meio ambiente.
Andréia ressaltou que muitas vezes o problema não está apenas no descarte incorreto, mas no consumo exagerado e impulsivo.
“A responsabilidade sobre o lixo não termina quando ele sai da nossa casa. Precisamos entender que tudo aquilo que consumimos gera impactos ambientais e que cada escolha faz diferença”, observou.
Valorização da agricultura familiar e das cadeias curtas
Outro ponto destacado foi a importância da agricultura familiar e das feiras de produtores como alternativas para fortalecer a economia local e reduzir impactos ambientais.
Ao adquirir produtos produzidos no próprio município ou na região, o consumidor reduz a necessidade de transporte de longas distâncias, diminui emissões relacionadas à logística e contribui diretamente para a geração de renda nas comunidades rurais.
As entrevistadas destacaram ainda que iniciativas desse tipo ajudam a mostrar aos jovens que existem oportunidades de empreendedorismo e diversificação dentro das propriedades rurais.
Educação para construir o futuro
Para a Coeducars, trabalhar com crianças e adolescentes significa investir em mudanças que poderão gerar resultados duradouros para toda a sociedade.
Ao levar temas como sustentabilidade, cooperativismo, mudanças climáticas, reaproveitamento de recursos e valorização do meio rural para dentro das escolas, a entidade busca formar cidadãos mais conscientes e preparados para enfrentar os desafios do futuro.
A expectativa é que os conhecimentos adquiridos pelos estudantes sejam compartilhados com suas famílias e comunidades, ampliando o alcance das ações e fortalecendo uma cultura de responsabilidade ambiental e desenvolvimento sustentável em toda a região.
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