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Corpo de Bombeiros alerta para cuidados com lareiras, fogões a lenha, aquecedores e instalações elétricas durante o inverno.

Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumenta significativamente o uso de equipamentos destinados ao aquecimento das residências. Lareiras ecológicas, fogões a lenha, lareiras tradicionais, aquecedores elétricos e aquecedores a gás passam a fazer parte da rotina de milhares de famílias durante o inverno. No entanto, junto com o conforto proporcionado pelo calor, surgem também riscos que exigem atenção e cuidados especiais.

Em entrevista à Rádio Planetária, o comandante do Corpo de Bombeiros de Tapera, Ten. Ederson Castro, destacou a importância da prevenção para evitar acidentes que podem resultar em perdas materiais e até mesmo em vítimas fatais. Segundo ele, o fogo é um elemento que acompanha a humanidade há milhares de anos e trouxe inúmeros benefícios ao longo da história, mas pode se tornar extremamente perigoso quando foge do controle.

“O fogo é nosso aliado enquanto está sob controle. Quando ele sai do controle, passa a ser um incêndio, trazendo riscos ao patrimônio e, principalmente, à vida das pessoas”, ressaltou o comandante.

Cuidados com lareiras ecológicas

Entre os equipamentos que ganharam popularidade nos últimos anos estão as lareiras ecológicas, especialmente aquelas abastecidas com álcool. Embora sejam consideradas práticas e modernas, elas exigem cuidados específicos para garantir a segurança dos usuários.

O primeiro passo, segundo o comandante, é conhecer bem o equipamento. Ao adquirir uma lareira ecológica, é fundamental ler atentamente o manual de instruções fornecido pelo fabricante. Caso o produto não acompanhe orientações detalhadas, a recomendação é buscar informações confiáveis sobre o uso correto do equipamento.

Outro ponto importante é a escolha do combustível adequado. O álcool recomendado para esse tipo de lareira possui concentração entre 92% e 96%, sendo mais apropriado para a queima e para o funcionamento seguro do equipamento.

Um dos maiores riscos ocorre durante o reabastecimento. O comandante alerta que jamais se deve adicionar álcool enquanto a lareira ainda estiver quente. O calor residual pode gerar vapores inflamáveis que, ao entrarem em contato com o combustível, provocam explosões e queimaduras graves.

Como exemplo, Ederson Castro citou acidentes já registrados no país envolvendo queimaduras severas causadas justamente pelo abastecimento inadequado de lareiras ecológicas.

A orientação é aguardar entre 40 e 60 minutos após o desligamento para garantir que o equipamento esteja completamente frio antes de realizar qualquer reposição de combustível.

Também é essencial manter a lareira afastada de materiais inflamáveis, como cortinas, tapetes, sofás, toalhas de mesa e objetos decorativos. O calor irradiado pode aquecer esses materiais e iniciar um incêndio mesmo sem contato direto com as chamas.

Outro cuidado importante é garantir a ventilação do ambiente. Como o fogo consome oxigênio durante a combustão, manter portas ou janelas parcialmente abertas ajuda a renovar o ar e evita problemas respiratórios para as pessoas que permanecem no local.

Atenção redobrada com fogões a lenha e lareiras tradicionais

Muito presentes nas residências da região, os fogões a lenha e as lareiras tradicionais continuam sendo amplamente utilizados durante o inverno. Apesar de serem equipamentos conhecidos pela população, eles também exigem atenção constante.

Uma prática comum, mas perigosa, é utilizar o fogão a lenha para secar roupas. Muitas pessoas colocam peças de vestuário próximas ao calor ou sobre estruturas metálicas instaladas ao redor do fogão. O problema ocorre quando essas roupas permanecem no local sem supervisão, especialmente durante a noite.

Segundo o comandante, basta uma faísca ou o superaquecimento do tecido para iniciar um incêndio.

Outro risco frequente é deixar pedaços de lenha projetados para fora da fornalha. Durante a combustão, a lenha pode se deslocar ou cair, espalhando brasas sobre o piso e provocando focos de incêndio.

Para reduzir esse risco, o Corpo de Bombeiros recomenda a instalação de chapas metálicas ou proteções de material não combustível na frente dos fogões e lareiras, especialmente em residências construídas em madeira.

“Quando uma brasa cai sobre uma superfície metálica, ela tende a se apagar. Já quando cai diretamente sobre a madeira, pode iniciar um incêndio rapidamente”, explicou.

Limpeza e manutenção das chaminés

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a limpeza das chaminés e tubulações.

Com o uso contínuo, ocorre o acúmulo de fuligem no interior dos canos. Esse material é altamente inflamável e pode entrar em combustão quando submetido a temperaturas elevadas.

Quando isso acontece, o fogo pode se espalhar pela estrutura da residência, especialmente se houver contato entre a tubulação aquecida e elementos de madeira da construção.

Por isso, a recomendação é realizar inspeções periódicas e garantir que os canos estejam devidamente isolados das vigas e demais componentes estruturais.

Casas de madeira exigem cuidados ainda maiores

Durante a entrevista, o comandante chamou atenção para a vulnerabilidade das residências de madeira em situações de incêndio.

Segundo ele, esse tipo de construção favorece a rápida propagação das chamas. Em muitos casos, poucos minutos são suficientes para que o fogo tome conta de toda a estrutura.

“Uma casa de madeira pode ser consumida pelo fogo em cerca de três minutos após o início do incêndio. Muitas vezes, quando o Corpo de Bombeiros chega ao local, o trabalho principal passa a ser evitar que as chamas atinjam as residências vizinhas”, explicou.

Por esse motivo, moradores de casas de madeira devem redobrar os cuidados com fogões, lareiras, instalações elétricas e equipamentos de aquecimento.

Aquecedores elétricos também exigem atenção

Os aquecedores elétricos são amplamente utilizados durante os períodos mais frios do ano. Embora sejam considerados seguros quando utilizados corretamente, também podem representar riscos.

O comandante alerta que esses equipamentos consomem oxigênio do ambiente e, quando utilizados em quartos totalmente fechados durante toda a noite, podem contribuir para a redução da qualidade do ar.

A recomendação é manter alguma forma de ventilação no ambiente, como uma janela parcialmente aberta ou uma porta entreaberta.

Além disso, é importante evitar o uso dos aparelhos na potência máxima por longos períodos e verificar se a instalação elétrica da residência suporta a carga exigida pelo equipamento.

Rede elétrica merece revisão periódica

Outro tema abordado pelo comandante foi a segurança das instalações elétricas.

Com o avanço da tecnologia, as residências passaram a utilizar uma quantidade muito maior de equipamentos elétricos do que há algumas décadas. Ar-condicionado, aquecedores, micro-ondas, fornos elétricos, air fryers e chuveiros de alta potência aumentam significativamente o consumo de energia.

O problema é que muitas casas possuem instalações antigas, projetadas para uma realidade completamente diferente da atual.

Segundo Ederson Castro, é fundamental que os moradores realizem avaliações periódicas da rede elétrica com profissionais qualificados.

Fiações antigas, tomadas sobrecarregadas e extensões improvisadas podem provocar superaquecimento e incêndios.

O comandante também alertou para o uso excessivo de adaptadores e benjamins, conhecidos popularmente como “T”. A ligação simultânea de vários equipamentos de alto consumo em uma única tomada aumenta consideravelmente o risco de curto-circuito e incêndio.

Mangueiras e válvulas de gás têm prazo de validade

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de verificar regularmente as mangueiras e válvulas dos botijões de gás.

Segundo o comandante, muitas famílias utilizam mangueiras vencidas há vários anos, sem perceber os riscos envolvidos.

Com o tempo, o material resseca e pode apresentar rachaduras ou pequenas fissuras, permitindo vazamentos.

Caso o gás encontre uma fonte de ignição, como a chama do fogão, o resultado pode ser uma explosão ou um incêndio de grandes proporções.

Por isso, a orientação é utilizar apenas produtos certificados pelo Inmetro e respeitar rigorosamente os prazos de validade indicados pelos fabricantes.

Seguro residencial pode minimizar prejuízos

Durante a conversa, Ederson Castro também destacou a importância do seguro residencial.

Embora a prevenção seja sempre a melhor estratégia, acidentes podem acontecer. Nesses casos, o seguro pode representar uma importante proteção financeira para as famílias.

Segundo ele, a experiência adquirida nos atendimentos demonstra que moradores que possuem seguro conseguem enfrentar as consequências de um incêndio ou de outros desastres com maior tranquilidade.

“Sabemos o quanto é difícil construir uma casa e conquistar um patrimônio. Quando ocorre uma perda total, a reconstrução é extremamente complicada. O seguro residencial pode fazer toda a diferença nesses momentos”, afirmou.

Prevenção continua sendo a melhor ferramenta

Ao final da entrevista, o comandante reforçou que a maioria dos incêndios atendidos pelo Corpo de Bombeiros poderia ser evitada com medidas simples de prevenção.

Pequenos cuidados, como desligar equipamentos antes de dormir, manter materiais inflamáveis afastados de fontes de calor, revisar instalações elétricas e substituir componentes vencidos, são atitudes capazes de evitar tragédias.

Além dos alertas de segurança, Ederson Castro agradeceu a receptividade da comunidade durante a participação do Corpo de Bombeiros em eventos regionais, destacando especialmente as atividades realizadas com crianças, que ajudam a aproximar a corporação da população e a disseminar a cultura da prevenção desde cedo.

“O objetivo é sempre proteger vidas. E a prevenção continua sendo o caminho mais eficiente para isso”, concluiu.

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