O fechamento da safra de verão 2025/2026 em Espumoso acendeu o alerta no setor agropecuário. Em entrevista ao programa Rumo ao Campo, o extensionista da Emater e responsável pelo escritório local, Lauro Colle, destacou as perdas significativas provocadas pela estiagem e pelos episódios de granizo registrados ao longo da temporada.
Segundo os dados apresentados durante reunião do IBGE para fechamento das culturas agrícolas, a soja teve forte redução de produtividade. Em uma área cultivada de 52 mil hectares, a expectativa inicial era de 4 mil quilos por hectare, mas o resultado final ficou em cerca de 2.700 quilos por hectare, equivalente a aproximadamente 45 sacas.
No milho sequeiro, a realidade também ficou abaixo da expectativa. A previsão inicial era de cerca de 165 sacas por hectare, mas o fechamento apontou produtividade média próxima de 107 sacas.
Conforme Lauro Colle, somente na soja o município deixou de produzir cerca de 1,1 milhão de sacas. Considerando o valor médio de comercialização, o impacto econômico ultrapassa R$ 125 milhões que deixam de circular no comércio local, atingindo diretamente lojas, prestadores de serviço, restaurantes e toda a economia regional.
Além das perdas nas lavouras, o extensionista também lembrou dos reflexos na pecuária leiteira, na produção de corte e em culturas voltadas à segurança alimentar, como feijão, batata e hortifrutigranjeiros.
Outro ponto destacado foi a redução na área destinada ao trigo. Enquanto em anos anteriores o município chegou a ter 16 mil hectares cultivados, a previsão para a próxima safra aponta cerca de 7 mil hectares, uma queda de aproximadamente 40%. Já a canola vem ganhando espaço como alternativa de diversificação.
Durante a entrevista, Lauro reforçou a importância do planejamento das propriedades rurais, da diversificação de culturas e da conservação do solo. Entre as práticas defendidas estão o plantio em nível, a descompactação do solo, a rotação de culturas e o aumento da cobertura vegetal para melhorar a infiltração e retenção da água.
Ele também destacou programas como o Terra Forte, do Governo do Estado, que busca incentivar práticas de conservação e recuperação do solo em propriedades rurais.
Ao encerrar, Lauro ressaltou que a agricultura segue sendo a principal base econômica da região e pediu maior valorização dos produtores rurais, lembrando que praticamente 90% da movimentação econômica regional depende direta ou indiretamente do setor agropecuário.
Para a próxima safra, a expectativa é de condições climáticas mais favoráveis e de maior adoção de práticas que garantam sustentabilidade e segurança produtiva no campo.
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