Estamos em plena colheita da safra de soja, e o movimento nas unidades de recebimento já começa a ganhar força. Em entrevista à nossa programação, o gerente da CEPASA de Espumoso, Edgar Comim, destacou que, após um período de chuvas, os trabalhos no campo estão sendo retomados com maior intensidade.
Segundo ele, nos últimos dias aumentou significativamente o número de lavouras prontas para a colheita, o que deve acelerar ainda mais o fluxo de recebimento nas próximas semanas. No entanto, a safra não corresponde totalmente às expectativas iniciais.
Produtividade afetada pela estiagem
De acordo com Comim, a estiagem registrada entre janeiro e fevereiro impactou diretamente o desempenho das lavouras. Em algumas áreas do município, as perdas são bastante expressivas.
De forma geral, a estimativa é de quebra entre 25% e 30% nas áreas mais afetadas. Apesar disso, um ponto positivo destacado é a qualidade dos grãos, considerada satisfatória nesta safra, sem grandes problemas como grãos ardidos ou esverdeados.
Armazenamento e escoamento da produção
A CEPASA conta atualmente com uma capacidade estática de armazenamento em torno de 24 mil toneladas. Mesmo assim, o gerente explica que o sistema funciona com fluxo contínuo: parte da produção recebida já é rapidamente escoada para atender contratos com a indústria e o mercado.
A soja comercializada tem como destino tanto o mercado interno — principalmente para produção de farelo e biodiesel — quanto o mercado externo, com exportações para países como a China.
Industrialização agrega valor ao produto
Comim também destacou a importância da industrialização da soja dentro do próprio estado. Segundo ele, o Rio Grande do Sul já possui diversas plantas de processamento, o que contribui para agregar valor à produção.
Quando o grão é exportado sem processamento, o produtor deixa de aproveitar o valor adicional gerado por derivados como óleo e farelo. Por isso, o aumento da capacidade industrial é visto como um avanço importante para o setor.
Logística ainda é gargalo
Um dos principais desafios apontados continua sendo a logística. O transporte rodoviário ainda predomina, o que encarece o escoamento da produção.
A falta de investimentos em ferrovias é citada como um entrave histórico. Além disso, problemas na malha viária, agravados por eventos climáticos recentes, ainda impactam o transporte em algumas regiões do estado.
Custos elevados preocupam produtores
A engenheira agrônoma da CEPASA, Lara Ranzi, também participou da entrevista e destacou outro fator preocupante: o aumento no custo dos insumos, especialmente fertilizantes.
Segundo ela, além das perdas causadas por sucessivos períodos de estiagem nos últimos anos, os produtores enfrentam preços elevados de adubos e ureia, o que compromete a viabilidade de culturas como o trigo.
A situação é agravada por fatores internacionais, como conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente o fornecimento e o preço de insumos derivados de petróleo.
Tendência de redução na área de inverno
Diante desse cenário, a expectativa é de redução na área plantada com culturas de inverno. A relação entre custo de produção e preço dos grãos tem desmotivado os produtores, que enfrentam dificuldades para garantir rentabilidade.
CEPASA pronta para receber a safra
Apesar dos desafios, a CEPASA segue preparada para atender os produtores. Edgar Comim reforçou que a unidade está de portas abertas, com estrutura e equipe prontas para receber, armazenar e comercializar a produção.
A orientação é para que os produtores procurem a cooperativa para esclarecimento de dúvidas e apoio durante este período de colheita.
A safra segue em andamento, com expectativa de intensificação nos próximos dias, refletindo diretamente na economia local e no dia a dia do produtor rural.
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