Aviação Agrícola: tecnologia, precisão e história que impulsionam o agro em Espumoso
Na manhã deste sábado (21/03), o programa Rumo ao Campo recebeu um convidado especial para falar de um setor essencial ao agronegócio: a aviação agrícola. O entrevistado foi o senhor Ildo Dalney Tatsch, mecânico, piloto e empresário do ramo, responsável por uma empresa de aviação agrícola sediada em Espumoso.
Durante a entrevista, seu Ildo destacou a importância da atividade para o desenvolvimento da produção primária, considerada base da economia regional e estadual. Segundo ele, mesmo diante de desafios climáticos nos últimos anos, a aviação agrícola segue sendo uma grande aliada do produtor rural, contribuindo para aumentar a produtividade com eficiência e precisão.
A trajetória da empresa começou entre 2004 e 2005, inicialmente com a locação de aeronaves. A ideia inicial era adquirir uma empresa já existente, mas, diante das dificuldades e riscos envolvidos, a decisão foi criar um negócio próprio. Assim nasceu, em 2009, a empresa Avante Aviação Agrícola, certificada oficialmente em 2010, sempre com sede em Espumoso.
Um dos pontos que mais chama atenção é o alto nível de exigência e fiscalização do setor. A atividade é acompanhada por diversos órgãos, como meio ambiente, aviação civil e agricultura, exigindo rigorosos padrões de segurança e responsabilidade ambiental. Um exemplo disso é a estrutura criada pela empresa, com um sistema moderno de lavagem e reaproveitamento da água utilizada nas aeronaves, por meio de processos como decantação e ozonização. O modelo, inclusive, virou referência para outras empresas do país.
Quando o assunto é tecnologia, a evolução é evidente. Se no passado as aplicações eram feitas praticamente “no olho”, com auxílio de bandeirinhas no campo, hoje os aviões contam com GPS, mapeamento digital e sistemas de alta precisão. Isso permite uma aplicação mais uniforme, econômica e sustentável, com menor volume de produto e maior eficiência.
Outro destaque é a capacidade operacional. Enquanto aeronaves antigas transportavam cerca de 350 litros, hoje existem aviões com capacidade superior a 1.800 litros, cobrindo áreas muito maiores em menos tempo. Além disso, a aviação agrícola tem a vantagem de não tocar a lavoura, evitando a disseminação de pragas entre áreas.
Seu Ildo também explicou que fatores como temperatura, umidade e vento são fundamentais para garantir uma aplicação eficaz. O objetivo principal é fazer com que o produto chegue corretamente à planta, com o máximo aproveitamento e o mínimo impacto ambiental.
A entrevista também abordou o surgimento da aviação agrícola, que teve início na década de 1940, nos Estados Unidos, chegando ao Brasil pouco depois, com destaque para o Rio Grande do Sul. Em Espumoso, a história da aviação está ligada à própria comunidade: a construção da pista local e do aeródromo foi resultado da mobilização da população, um fato raro e que demonstra o envolvimento da sociedade com o setor.
Sobre o futuro, o empresário comentou a chegada dos drones na agricultura. Para ele, a tecnologia não é concorrente, mas sim complementar. Enquanto os aviões são ideais para grandes áreas, os drones podem atuar em locais menores ou de difícil acesso, ampliando as possibilidades de aplicação.
Por fim, foi reforçado um alerta importante aos produtores rurais: a responsabilidade sobre o destino correto das embalagens de produtos químicos é do próprio agricultor. A legislação está mais rígida, e o descumprimento pode gerar multas e penalidades severas.
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