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Produtor de leite Alverino Ozelame relata desafios do setor e defende mais apoio ao agro

Produtor de leite Alverino Ozelame relata desafios do setor e defende mais apoio ao agro
28.02.2026 10h40  /  Postado por: rodrigosiga007

No programa Rumo ao Campo deste sábado (28/02), recebemos o produtor rural Alverino Ozelame, referência na pecuária leiteira de Espumoso. Com 40 anos dedicados à atividade, ele compartilhou sua trajetória, os desafios enfrentados ao longo das décadas e a preocupação com o atual cenário do agronegócio.

Natural da localidade de Campina Redonda, interior de Espumoso, Alverino cresceu em meio à agricultura e à criação de animais. Desde jovem, acompanhou a evolução do setor, passando do sistema manual — quando o leite era tirado a punho — até a modernização com ordenhadeiras, genética avançada e gestão tecnológica.

Durante a entrevista, ele fez questão de parabenizar a Rádio Planetário pelos 47 anos de história e também o município pelos 71 anos de emancipação, destacando que sua trajetória se confunde com o crescimento da cidade e do agro local.

Formação e busca por conhecimento

Além da experiência prática, Alverino investiu fortemente em qualificação. Possui curso superior em Administração de Empresas e Projetos Gerenciais, especialização em Cooperativismo e Inovação, e participou de capacitações internacionais.

Em 2015, esteve nos Estados Unidos, onde visitou a maior feira mundial de gado leiteiro, conhecendo de perto o modelo produtivo americano, especialmente nos estados de forte tradição leiteira como Wisconsin e Minnesota. Também participou de palestras em Chicago voltadas à formação de negócios, gestão e investimentos futuros.

Na Argentina, realizou curso voltado à avaliação morfológica e performance de animais em pista, aprofundando conhecimentos em genética e seleção. Segundo ele, todo aprendizado foi aplicado diretamente na propriedade. “Não busquei conhecimento para palestrar, mas para melhorar meu próprio negócio”, ressaltou.

Propriedade enxuta e foco em eficiência

Hoje, a produção acontece na Serra dos Engenhos, em uma propriedade familiar considerada pequena em área, mas altamente organizada. São cerca de 70 vacas em lactação, com produção mensal próxima de 40 mil litros de leite.

O modelo adotado é semi-confinado, priorizando bem-estar animal e controle de custos. O produtor destaca que não busca as maiores médias de produção por vaca, mas sim eficiência econômica. “Margem não é lucro. Lucro é eficiência”, afirmou.

Enquanto muitas propriedades trabalham com custo superior a R$ 2,30 por litro, Alverino relata conseguir manter o custo abaixo de R$ 2,00. Ainda assim, enfrenta dificuldades, pois o preço recebido em determinados períodos não cobre os gastos, gerando prejuízo que pode chegar a R$ 1,00 por litro.

Ele atribui a sobrevivência da atividade à governança interna, ao controle rigoroso de despesas, ao uso de tecnologia e à redução da dependência de mão de obra. “Hoje consigo tocar a atividade com estrutura enxuta. Se não fosse isso, já teria fechado as portas”, destacou.

Crise prolongada e concorrência externa

Um dos principais pontos abordados foi a crise do leite, considerada por ele a mais grave em quatro décadas de atuação. Diferentemente de crises pontuais do passado — como a do leite compensado — a atual se prolonga por quase um ano, com preços achatados e custos elevados.

Alverino criticou a importação de leite da Argentina, afirmando que o produto entra no país com valores inferiores ao custo de produção brasileiro, pressionando ainda mais o mercado interno. Para ele, a solução passa por políticas que equilibrem a concorrência e valorizem o produtor nacional.

Além disso, mencionou a alta carga tributária sobre insumos, o aumento do diesel, a dependência do transporte rodoviário e a insegurança jurídica como fatores que dificultam o planejamento. “O produtor é capaz de quebrar trabalhando”, resumiu.

Desafios além do leite

O produtor também ampliou o debate para outras cadeias do agro, destacando que soja, milho e arroz enfrentam preços baixos, enquanto apenas o gado de corte apresenta melhor sustentação. Ele defende maior agregação de valor, com investimentos regionais em esmagamento de grãos e industrialização, fortalecendo cooperativas e reduzindo custos logísticos.

Para Alverino, o Brasil tem potencial para liderar a produção mundial de alimentos, mas precisa investir em gestão, infraestrutura e políticas públicas mais alinhadas ao campo. “Nós temos terra, tecnologia e capacidade. O que falta é segurança e valorização”, afirmou.

Uma vida dedicada ao campo

Ao longo da entrevista, ficou evidente que a história de Alverino Zelambi é marcada por persistência, atualização constante e amor pela atividade rural. Em quatro décadas, enfrentou mudanças de governo, variações de mercado, crises climáticas e transformações tecnológicas.

Mesmo diante das dificuldades, segue produzindo, investindo e acreditando na força do agro. Para ele, a base da economia está na produção. “Se não alimentar a vaca, não tem leite. Se não cuidar de quem produz, não tem alimento”, concluiu.

A entrevista reforça a importância do debate sobre o setor leiteiro e evidencia o papel fundamental do produtor rural na sustentação da economia local, regional e nacional.

Acompanhe o podcast:

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