Falta de motoristas preocupa setor de transporte no país
A escassez de profissionais no transporte rodoviário de cargas e passageiros tem preocupado o setor em todo o Brasil. O alerta é de Gilberto Godoy Boeira, presidente do SINDPFUNDO-RS, que destaca uma defasagem de mão de obra registrada desde 2016.
Segundo ele, atualmente o país enfrenta uma falta estimada entre 35% e 45% de motoristas profissionais, conforme levantamentos do setor. A dificuldade atinge tanto o transporte de cargas quanto o transporte coletivo de passageiros.
Entre os principais fatores apontados está a defasagem salarial, especialmente nas pequenas empresas, que têm mais dificuldade em conceder reajustes. As negociações salariais iniciam, tradicionalmente, no mês de abril, mas o piso da categoria muitas vezes acaba ficando no mínimo possível acordado em convenção coletiva.
Outro problema é o não cumprimento integral da convenção por parte de algumas empresas, especialmente no que diz respeito a benefícios como vale-alimentação, quinquênios e bonificações por assiduidade. Nesses casos, o sindicato recorre à Justiça do Trabalho para garantir os direitos dos trabalhadores.
Além disso, há uma mudança no perfil dos profissionais. Muitos motoristas não querem mais jornadas extensas, que incluem finais de semana, optando por rotinas de segunda a sexta-feira. Essa nova realidade impacta diretamente o funcionamento das empresas, que precisam cumprir prazos e concessões.
No transporte de cargas, existem diferentes pisos salariais conforme o tipo de veículo — como rodotrem, bitrem, carreta e caminhões menores — o que também gera movimentação interna na categoria, já que motoristas buscam qualificação para assumir veículos de maior porte e melhor remuneração.
Gilberto Boeira também chama atenção para o aumento de acidentes envolvendo profissionais com menos tempo de experiência, especialmente em veículos de grande porte. Segundo ele, a qualificação e a experiência seguem sendo fundamentais para garantir segurança nas rodovias.
No transporte coletivo de passageiros, o setor enfrenta ainda desafios como o alto custo do diesel, a redução no número de passageiros e a concorrência com aplicativos de transporte e caronas compartilhadas. Empresas com concessão têm registrado dificuldades para manter linhas com baixa ocupação.
Apesar do cenário preocupante, o presidente do sindicato não acredita em colapso do sistema, mas alerta para atrasos nas entregas e no cumprimento de rotas, situação que já começa a ser percebida em algumas regiões.
Para ele, é necessário um olhar mais atento do poder público ao setor, responsável por cerca de 85% da movimentação econômica do país por meio do modal rodoviário.
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