Preços ao produtor rural no Rio Grande do Sul caem 12,83% em 2025, com forte impacto sobre arroz, leite e trigo
Os preços recebidos por agricultores e pecuaristas do Rio Grande do Sul pelos produtos comercializados registraram queda acumulada de 12,83% ao longo de 2025. Os dados revelam um cenário especialmente negativo para o arroz, que apresentou o maior recuo do período, com retração de 46,9%. Também tiveram quedas expressivas o leite, com redução de 19%, e o trigo, que fechou o ano com baixa de 17%. No sentido oposto, os custos de produção no campo apresentaram uma deflação acumulada de 1,09%.
Os levantamentos foram elaborados pela equipe da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e fazem parte do acompanhamento mensal realizado por meio do Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) e do Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP). Este foi o terceiro ano consecutivo de deflação nos preços pagos ao produtor rural gaúcho. Em 2024, a queda havia sido de 8,1%, enquanto em 2023 o recuo chegou a 9,45%.
Segundo a Farsul, o comportamento do IIPR ao longo do ano seguiu direção oposta à inflação dos alimentos medida pelo IPCA. “O IIPR apresentou movimento oposto ao do IPCA Alimentos no acumulado do período”, destaca a entidade. Enquanto os preços recebidos pelos produtores acumularam queda de 12,83%, os alimentos ao consumidor final tiveram inflação de 2,95%. Para a Federação, o dado evidencia que o aumento de preços nas prateleiras não tem origem no produtor rural, mas no processo inflacionário ao longo de toda a cadeia produtiva.
No caso dos custos de produção, a estabilidade observada em 2025 foi influenciada principalmente pela retração dos preços das commodities. De acordo com a Farsul, também contribuíram para esse cenário a desvalorização de cerca de 11% do dólar ao longo do ano, que reduziu os preços de alguns defensivos agrícolas, além da diminuição dos gastos com tributos de comercialização, resultado direto da queda nos preços agrícolas.
Maior oferta pressionou os preços
A principal explicação para a queda mais acentuada dos preços em 2025 está relacionada à maior oferta dos produtos que registraram as maiores baixas: arroz, leite e trigo. Conforme a economista da Farsul, Danielle Guimarães, o aumento do volume produzido acabou pressionando as cotações, mesmo em um cenário de custos relativamente estáveis.
“Temos observado uma desaceleração no preço do arroz muito brusca desde o ano passado até agora em função da safra brasileira ter sido 19% maior do que a anterior”, explica. Segundo ela, houve ampliação da área plantada, especialmente no Rio Grande do Sul, que somada às boas produtividades resultou em uma oferta elevada. Atualmente, os preços do arroz giram entre R$ 50 e R$ 52 por saca.
Danielle ressalta que o arroz foi o principal fator para a queda do índice, mas destaca que situação semelhante ocorreu no setor leiteiro. No caso do trigo, o impacto veio da comercialização, no início de 2025, da safra de 2024, que foi 43% maior em relação à produção de 2023, ampliando ainda mais a oferta disponível no mercado.
Perspectivas ainda incertas para 2026
Em relação às perspectivas para este ano, a economista avalia que ainda é cedo para projeções mais precisas. No entanto, reforça que a oferta seguirá sendo um dos principais determinantes do comportamento dos preços.
“O que podemos analisar até agora é este mesmo fundamento, de como vai ser a oferta destes produtos mais para a frente. No caso do arroz, em que houve uma redução de área, talvez a redução de oferta não seja suficiente para trazer estes preços para patamares bons de novo”, avalia.
Danielle pondera que isso não significa necessariamente uma continuidade das quedas, mas alerta que, no caso do cereal, os preços podem permanecer estáveis em níveis baixos, devido à oferta ainda elevada e aos altos estoques existentes. “Mas estamos falando só de um fundamento, que é a oferta. Existem vários outros que ainda é muito cedo para comentar”, conclui.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo




