Brasil tem um dos Congressos mais caros do mundo e lidera ranking de gastos em relação ao PIB
O país possui o segundo parlamento mais caro do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Quando se leva em conta o peso desse orçamento no Produto Interno Bruto, o Brasil lidera o ranking. Os dados são da União Interparlamentar, organismo da ONU que acompanha e compara o funcionamento dos parlamentos em diversos países.
Somente em salário, cada parlamentar recebe R$ 46.366,19 por mês. Mas o custo do mandato vai muito além dos rendimentos mensais. Cada deputado tem direito à chamada cota para o exercício da atividade parlamentar, usada para custear despesas como passagens aéreas, combustível e aluguel de veículos. Dependendo do estado de origem e da forma de utilização, essa verba pode chegar a quase R$ 1 milhão por ano por parlamentar.
Há ainda a verba de gabinete, destinada ao pagamento de assessores. Cada parlamentar pode gastar, em média, R$ 126 mil por mês, o que permite a contratação de até 25 secretários parlamentares. Outro ponto em que o Brasil lidera é o número de servidores no Legislativo: são cerca de 14 mil funcionários ao todo.
Segundo o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, o modelo político adotado no país ajuda a explicar os custos elevados.
“O sistema político que optamos por construir, com voto proporcional, nominal e sem territorialização, é um sistema eleitoral, político e partidário caro. A despesa do Congresso Nacional é muito concentrada em pessoal, porque a atividade parlamentar exige assessoria, suporte jurídico e logística”, destaca.
Quando todas essas despesas são colocadas na ponta do lápis, o custo anual de um único parlamentar pode chegar a R$ 2,7 milhões. O valor não inclui despesas indiretas, como segurança, manutenção do Congresso Nacional e contratos de serviços terceirizados. Além disso, o Congresso controla uma parte expressiva do orçamento federal por meio das emendas parlamentares. Para 2026, o montante aprovado é de R$ 61 bilhões.
Especialistas alertam que um nível de gasto tão elevado exige fiscalização constante,especialmente em um cenário de pressão sobre as contas públicas e de debate sobre o equilíbrio fiscal.
Murilo Viana reforça que o olhar crítico não deve se limitar apenas ao Poder Executivo.
“Normalmente, olhamos para as despesas executivas, para o funcionamento dos ministérios e das políticas públicas. Mas, sem dúvida alguma, o Parlamento, assim como outros poderes autônomos, como o Judiciário, também deveria ser foco de economias significativas, para contribuir com um horizonte de estabilidade fiscal”, conclui.
Fonte: SBT NEWS
Foto: Wikipedia




