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Presidente da Aprosoja RS expõe desafios, projeções e impactos políticos em análise ampla sobre a agricultura gaúcha

Presidente da Aprosoja RS expõe desafios, projeções e impactos políticos em análise ampla sobre a agricultura gaúcha
26.11.2025 07h30  /  Postado por: villaadriano

O Rio Grande do Sul segue sendo uma das maiores potências agrícolas do Brasil, mesmo após enfrentar um dos períodos mais difíceis de sua história recente. Entre estiagens prolongadas, excesso de chuvas, enchentes, baixos preços e dificuldades de crédito, o produtor gaúcho mantém firme a tradição de trabalhar “faça chuva ou faça sol”. Nesta terça-feira, 25 de novembro, o jornalista Fernando Kopper esteve em Tapera para entrevistar Ireneu Orth, presidente da Aprosoja RS, produtor rural com décadas de atuação, ex-prefeito do município e que também assumiu cadeira no Senado Federal como primeiro suplente do senador Luis Carlos Heinze.

Durante uma longa conversa, Orth falou abertamente sobre os rumos do agronegócio gaúcho, a realidade da safra, a crise financeira das propriedades, os desafios climáticos, além de relatar sua experiência em Brasília e detalhar o atual trabalho da Aprosoja no Rio Grande do Sul e no cenário nacional.

Safra de inverno boa, mas com preços ruins

Ao ser questionado sobre a situação atual do agronegócio no Estado, Orth destacou que o produtor vive sempre na expectativa do que o clima e o mercado podem trazer. Apesar de anos ruins, este ciclo trouxe um alento na colheita de inverno:

“Acabamos de colher uma boa safra de inverno. O trigo, que é a principal cultura, rendeu muito bem. Outras culturas de inverno também tiveram bom desempenho. Infelizmente, o preço do trigo está muito ruim. Mesmo com safra excelente, o resultado financeiro é fraco”, afirmou.

Segundo ele, há regiões do Rio Grande do Sul onde os agricultores conseguem manter o uso de tecnologia, mas muitas outras estão sem condições mínimas de investimento.

“Tem produtor plantando sem adubação e sem tecnologia. A lavoura parece normal na emergência, mas o problema será lá na frente. E há áreas que nem serão plantadas. Uma grande safra é praticamente impossível”, explicou.

Soja: plantio avança, mas expectativa é moderada

No Alto Jacuí, região onde está Tapera, Orth estima que entre 70% e 80% da soja já estava plantada no momento da entrevista, dentro da normalidade. Porém, alerta que, no Estado como um todo, a projeção de 22 a 23 milhões de toneladas é irreal.

“Tenho dito que, se tudo correr bem, poderemos colher entre 19 e 21 milhões de toneladas. Seria uma safra normal, considerando todo o cenário. Mas não aquela grande safra que muitos anunciam”, pontuou.

Orth reforça que, embora o clima seja sempre grande vilão ou aliado, o resultado final depende do preço. E lembra uma frase do irmão, Antônio:

“Ele dizia: ‘Não estou preocupado com safra grande, estou preocupado com resultado financeiro’. Se todo mundo colhe demais, o preço cai e o produtor perde.”

La Niña confirmado e preocupação dos agricultores

Kopper questionou o presidente da Aprosoja sobre a nova confirmação do fenômeno La Niña e o receio de repetição dos problemas recentes, secas, excesso de umidade, pragas e instabilidades climáticas. Orth pede cautela:

“Não dá para sofrer na véspera. Esperança é o que move o agricultor. Vamos torcer para que as previsões não se confirmem e que o clima seja normal. Mas sabemos que o produtor já está calejado.”

Securitização emperrada e juros sufocando o campo

O tema mais sensível do momento, a securitização das dívidas, foi um dos pontos mais longamente tratados na entrevista.

Orth detalhou todo o caminho do projeto original, que previa R$ 60 bilhões para todo o Brasil, depois reduzido para R$ 30 bilhões, e que foi aprovado com folga na Câmara, mas travou no Senado.

Enquanto isso, o governo lançou a Medida Provisória 1.314, que renegocia parte das dívidas, mas não resolve o problema estrutural:

“Muita gente ficou de fora. Quem até conseguiu renegociar ficou sem acesso a novos financiamentos. E os bancos passaram a exigir garantias fiduciárias, que a maioria já não tem mais. Quem não teve financiamento oficial está pagando juros de 14%, 15%, até 20%. Uma atividade agrícola não produz esse lucro.”

O presidente da Aprosoja alerta que muitos estão plantando já sabendo que a renda irá direto para o banco.

Experiência no Senado: bastidores, derrotas e vitórias importantes

Entre maio e agosto do ano passado, Ireneu Orth assumiu a cadeira de senador em um dos períodos mais críticos da história do Estado, durante as enchentes de 2023.

“Foram quatro meses intensos. Nosso foco foi ajudar os flagelados e evitar aumento de impostos. Conseguimos avanços importantes, apesar do pouco tempo.”

Um dos episódios mais marcantes foi o projeto que adiou o pagamento da dívida do Estado com a União por 36 meses, cerca de R$ 12 bilhões.

“Foi uma vitória fundamental. Esse dinheiro ficou aqui, permitindo que o Estado investisse na recuperação das rodovias, pontes e na retomada econômica. Infelizmente, a emenda que extinguia a dívida não passou.”

Orth relatou também que atuou diretamente contra a compra de arroz pelo governo federal e contra uma medida provisória que cobraria PIS e Cofins sobre todas as operações financeiras, o que adicionaria mais de R$ 30 bilhões em impostos ao país.

“Fiz um discurso forte pedindo que a MP fosse rejeitada. A pressão funcionou e o Congresso devolveu a medida. Foi uma grande vitória para a economia.”

Sobre novas candidaturas, ele foi direto:

“Não serei candidato na próxima eleição. Minha saúde não me permite e acredito que temos pessoas mais jovens para dar continuidade ao trabalho.”

Aprosoja RS e suas ações no campo e em Brasília

Orth explicou que a Aprosoja está presente em 16 estados e que hoje é uma das entidades com maior interlocução política no setor agropecuário brasileiro.

“A Aprosoja Brasil tem uma força enorme em Brasília. Somos a entidade que representa a maior commodity do país. Levamos informações técnicas e econômicas para os parlamentares. Muitos votam leis sobre agricultura sem conhecer o tema.”

Ele lembrou ações importantes no Rio Grande do Sul, como a forte campanha de arrecadação durante as enchentes, a abertura nacional da colheita da soja realizada em Tapera e a atuação permanente em defesa dos produtores.

“Nosso papel é defender o agricultor e garantir que as decisões políticas não prejudiquem quem produz. Sem representação, o campo fica vulnerável.”

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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