Quinze de Novembro fortalece modelo regional de combate a incêndios com ação integrada de voluntários e apoio a municípios vizinhos
Nos últimos anos, impulsionados pelo aumento de ocorrências de combate a incêndio e pelo impacto das severas estiagens que castigam o Rio Grande do Sul, diversos municípios passaram a investir em estruturas próprias de resposta rápida. Nesse cenário, Quinze de Novembro se destaca como um exemplo regional de organização, capacitação e compromisso comunitário, ao criar e manter uma central de emergências operada por voluntários que hoje atua também em municípios vizinhos como Fortaleza dos Valos e Ibirubá.
Para entender a evolução desse trabalho e sua relevância prática no cotidiano da região, o jornalista Fernando Kopper visitou o município e conversou com o vice-prefeito Alexandre Lamb Budke, que é um dos responsáveis pela coordenação dos voluntários e também atua diretamente nas ocorrências. A entrevista, realizada para os ouvintes da Rádio Planetário, apresentou uma narrativa detalhada de como o serviço nasceu, se desenvolveu e se modernizou ao longo dos anos.
Alexandre relembrou que a estrutura atual começou a tomar forma ainda na gestão do ex-prefeito Clair Tomé Kuhn. Na época, o então vereador Gerico Wotrich destinou recursos devolvidos pela Câmara para que o município adquirisse seu primeiro caminhão de combate a incêndio, um modelo que se tornou a base da atual central de emergências. Antes disso, Quinze de Novembro contava apenas com um caminhão antigo, o popular “caminhão vermelho”, utilizado de maneira improvisada pela comunidade.
A partir da aquisição do novo veículo, em 2012, a administração municipal buscou os equipamentos de bombeamento e montou a estrutura que deu origem ao serviço formalizado. O caminhão, pintado de branco e azul para evitar classificação como veículo oficial do Corpo de Bombeiros Militar, o que poderia implicar em transferência compulsória, recebeu o nome de caminhão de emergência e passou a ser operado por uma equipe treinada, formada principalmente por servidores do departamento de obras e voluntários externos.
A central funciona com quatro voluntários remunerados com uma pequena gratificação para atuar em regime de plantão nos fins de semana e feriados. A estrutura se mantém sempre pronta, com o caminhão abastecido e os equipamentos revisados. Segundo Alexandre, o veículo tem capacidade de sugar e expelir cerca de 100 litros de água por minuto, podendo abastecer outros caminhões em poucos minutos. Além do combate a incêndios, o caminhão também auxilia em períodos de estiagem, abastecendo propriedades rurais, granjas e residências atingidas por falhas no sistema de abastecimento.
Alexandre relatou que a central atua em articulação permanente com o Corpo de Bombeiros Militar de Ibirubá e com o grupo de voluntários de Fortaleza dos Valos. Em diversas situações, as equipes dos três municípios atendem ocorrências em conjunto, especialmente nos incêndios em lavouras, que podem atingir grandes áreas em poucos minutos. Ele ressaltou que a dinâmica do combate exige preparo técnico e atenção constante, já que os caminhões voluntários são estacionários e exigem deslocamentos repetidos para reposição de água.
O vice-prefeito também relembrou ocorrências marcantes, como o incêndio no Hotel Boa Vista, em Ibirubá, quando o caminhão de Quinze de Novembro operou com tamanha eficiência que permitiu que outros dois caminhões fossem retirados da linha de ação, reduzindo riscos e reorganizando o combate. Outro episódio citado por ele foi um incêndio mais recente em Fortaleza dos Valos, no qual houve uma vítima fatal, fato que ressaltou o impacto emocional que esses atendimentos representam para todos os envolvidos.
O aumento de incêndios em colheitadeiras, galpões e lavouras também foi destacado por Alexandre como um reflexo da combinação entre clima seco, altas temperaturas e intensa atividade agrícola. Ele reforçou a importância de que agricultores mantenham tratores com grade e tanques de água à disposição durante os períodos mais críticos, medida que acelera o isolamento do fogo antes da chegada dos caminhões.
Hoje, a central atende Quinze de Novembro e apoia intervenções em diversos municípios próximos, incluindo Cruz Alta, Selbach e Boa Vista do Incra. Embora não mantenha registro próprio do número de ocorrências, o vice-prefeito estima que semanalmente há acionamentos, especialmente em períodos de safra. Ele destacou que a iniciativa inspirou outras cidades a considerarem a implementação de estruturas semelhantes, e deixou um convite para que gestores da região conheçam o trabalho da equipe e busquem orientação sobre os aspectos legais e operacionais do modelo.
Na entrevista, Alexandre e Fernando também reforçaram os contatos para emergência: o número direto da central é (54) 9 9181-0131, além do telefone pessoal do vice-prefeito, (54) 9 9243-1615, disponível para acionamentos a qualquer hora do dia. Ele destacou ainda a importância de que a população continue acionando o Corpo de Bombeiros Militar pelo 193, que repassa imediatamente as demandas quando o atendimento local pode ser mais rápido.
Ao final, o vice-prefeito agradeceu a oportunidade de relatar a trajetória da central e reforçou que o sucesso do modelo depende, acima de tudo, do comprometimento humano dos voluntários: “Quando fizerem, façam com amor e carinho”, disse, enfatizando que o trabalho é movido pela vontade de proteger vidas, propriedades e toda a comunidade regional.
Em Espumoso, um projeto semelhante segue em trâmites burocráticos há anos; um caminhão chegou a ser adquirido, mas até o momento nada saiu do papel. Nossa equipe jornalística entrou em contato com diversos voluntários que afirmam estar à frente da iniciativa, porém, até o fechamento desta matéria, ninguém quis se manifestar.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




