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Alexandra Salete Dougokenski é condenada a mais de 30 anos de prisão pelo assassinato do filho Rafael

Alexandra Salete Dougokenski é condenada a mais de 30 anos de prisão pelo assassinato do filho Rafael
19.01.2023 00h16  /  Postado por: Tânia Diehl

Em maio de 2020, o município de Planalto, no norte do Estado, foi estremecido com a notícia de que uma mãe matara o próprio filho. Após mais de uma semana de buscas pelo garoto, Alexandra Salete Dougokenski indicou o local onde estava escondido o corpo de Rafael Mateus Winques, 11 anos. Ontem, após três dias, chegou ao fim do julgamento da ré, que é acusada de ter assassinado o caçula.

Por fim, os jurados decidiram que Alexandra é culpada. Pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual, ela foi condenada a 30 anos e 2 meses de reclusão e 6 meses de detenção. A sentença foi lida pela juíza Marilene Campagna por volta das 23h40min.

O advogado de defesa, Jean Severo, disse que vai recorrer da sentença. Ele também afirmou que irá pedir a anulação do júri, alegando que a promotora Michele Dumke Kufner teria ferido o silencio da ré, embora ela tenha citado somente os familiares nominalmente.

Os debates

Assim como previsto, acusação e defesa apresentaram aos jurados dois perfis de Alexandra. De um lado, a acusação buscou apresentar uma mulher fria e manipuladora, que foi capaz de asfixiar o menino até a morte, num crime arquitetado, enraivecida porque ele desobedecia suas ordens e não parava de usar o celular. De outro, defesa tentou mostrar uma mãe zelosa, vítima de série de violências cometidas pelo ex-marido, pai do menino Rafael, e que teria sido injustiçada.

Responsável por elaborar a denúncia do crime, a promotora Michele Dumke Kufner narrou que foi até a casa de Alexandra assim que soube do sumiço do garoto, para prestar solidariedade.

— Se tivéssemos alguma dúvida da responsabilidade da Alexandra, pela morte do filho dela, não viríamos aqui pedir a condenação — afirmou.

A promotora relatou que foi até a casa de Alexandra em 21 de maio daquele ano, para prestar solidariedade. Neste mesmo dia, a mãe teria mandado mensagens para Rodrigo pedindo informações sobre o filho e também enviado mensagens ao então namorado, tentando imputar responsabilidade a um dos irmãos.

— Naquele mesmo dia, eu estive na casa dela. Eu passei pelo corredor onde ela arrastou o corpo do filho dela. Eu sentei no sofá e fiquei mais de uma hora conversando com ela. Naquele momento, ela era uma mãe procurando o filho. Eu queria ouvir dela, o que tinha acontecido, ela era uma mãe sem filho — disse.

Defesa

Por outro lado, a defesa insistiu em atacar o pai de Rafael, Rodrigo Winques. Severo afirmou que comprovaria que o agricultor não estava na Serra, como afirmou desde o início. Neste momento, exibiu uma foto do quarto de Rodrigo e logo depois uma selfie, com data de 14 de maio, na qual ele aparecia com outra parede de fundo – na imagem não é possível identificar o local. Ainda assim, o criminalista sustentou que isso indica que ele não estava no quarto dele em Bento Gonçalves.

—Ele, infelizmente matou o menino. O que eu peço é a absolvição da Alexandra por todos os crimes imputados a ela. (…) O que vocês vão perder se absolver, ainda mais uma inocente? Num processo onde a dúvida se impõe. A defesa mostrou claramente que o Rodrigo estava em outro ambiente, diferente do que ele afirmava. (…) Pensem nisso, eu consigo condenar a Alexandra em cima disso? Não, eu preciso de robustez processual para mandar alguém praticamente para a morte — afirmou.

Por fim, voltou a sustentar que não havia motivação para o crime, e pediu que a ré se aproximasse do filho mais velho, Anderson, que acompanha o júri.

— A Alexandra era uma boa mãe. Vamos fazer Justiça, vamos absolver essa moça. Uma mãe não mata o filho.

Resumo do júri

  • Na segunda-feira (16), foram sorteados os nomes dos sete jurados. Na sequência, passaram as ser ouvidas as testemunhas. Foram ouvidos uma professora de Rafael, e logo depois os dois delegados envolvidos na investigação.
  • No dia seguinte, foram realizadas as sete oitivas das testemunhas que restavam. Restavam oito para serem ouvidas no dia, mas uma policial foi dispensada.
  • O terceiro dia iniciou com o interrogatório de Alexandra. Na sequência, começaram os debates entre acusação e defesa. Na noite desta quarta-feira, jurados se reuniram para decidir desfecho e sentença foi lida.

Fonte: GZH

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